De agosto a outubro de 2026, o mercado brasileiro de fusões e aquisições teve menos negócios e cheques maiores. Compradores estratégicos estrangeiros concentraram as maiores transações, minerais críticos ganharam prêmio e o pagamento em ações voltou a ser moeda de troca num ambiente de juro real elevado. Este é o resumo do relatório da Elit Capital; a versão completa, com a análise transação a transação e o radar do 4T26, está disponível em PDF ao final da página.
968
operações até set/26
−31% a/a em número
R$ 251,6 bi
capital mobilizado até set/26
+18% a/a em valor
44%
das operações com valor divulgado
base de valor é parcial
13,75%
Selic após o corte de 16/09
−50 bp no período
O que marcou o período
- Menos negócios, cheques maiores. O número de operações caiu 31% até setembro, mas o capital mobilizado subiu 18%. O valor está concentrado em poucas transações acima de US$ 1 bilhão.
- Capital estratégico estrangeiro. Os sete maiores negócios do período têm compradores da França, dos EUA, do México, da Suécia, da Colômbia e da Austrália — todos estratégicos, não financeiros.
- Minerais críticos com prêmio. Serra Verde fechou a venda (US$ 2,8 bi) e a Lynas anunciou a compra do projeto Caldeira (A$ 968 mi). O segmento soma US$ 6 bilhões em M&A no ano, mais que o dobro de 2025.
- Ações como moeda de troca. Nexa, Lynas, Yduqs/Afya e parte de Serra Verde foram pagas em ações: com juro real elevado, compradores preservam caixa e vendedores aceitam o risco do comprador.
- Venda de ativos para desalavancar. A Motiva vendeu aeroportos a 8,8x EV/EBITDA, acima do próprio múltiplo; a Votorantim trocou o controle da Nexa por 7% da Boliden; a Prudential saiu de mercados emergentes.
Transações selecionadas — agosto a outubro de 2026
| Alvo | Comprador (origem) | Setor | Valor divulgado | Status |
|---|---|---|---|---|
| Prudential do Brasil + México | CNP Assurances (FR) | Seguros | US$ 4,025 bi | Assinada em 20/10 |
| Grupo Serra Verde | USA Rare Earth (EUA) | Terras raras | ~US$ 2,8 bi | Concluída em 03/09 |
| CPC Holding (20 aeroportos) | ASUR (MX) | Aeroportos | R$ 12,21 bi (EV) | Concluída em 01/09 |
| Nexa Resources (64,68%) | Boliden (SE) | Zinco e prata | US$ 1,31 bi | Assinada em 27/08 |
| Brava Energia (~51%) | Ecopetrol (CO) | Óleo e gás | ~US$ 1,2 bi | Concluída em ago/26 |
| Meteoric (Caldeira, MG) | Lynas (AU) | Terras raras | A$ 968 mi | Anunciada em 01/10 |
| Desktop (72,83%) | Claro / América Móvil (MX) | Fibra óptica | R$ 1,75 bi | Concluída em 01/10 |
| Afya | Yduqs (BR) | Educação | Fusão por ações | Anunciada em 23/09 |
Quatro observações sobre o fluxo
- Concentração. Dois negócios (Prudential e Serra Verde) somam 54% do valor da amostra; os quatro maiores, 83%.
- Comprador estrangeiro. Todos os sete negócios com preço divulgado têm comprador estrangeiro — seis deles estratégicos de capital aberto.
- Moeda de pagamento. Quatro dos oito negócios usam ações, total ou parcialmente; o caixa domina em seguros e infraestrutura.
- Mercado total. Até setembro, foram 968 operações e R$ 251,6 bilhões, com 167 rodadas de venture capital (R$ 9,7 bi) e 62 de private equity (R$ 55,0 bi), segundo a TTR Data.
Cenário para o 4T26
- Juros. O Copom decide em 3–4/11 e 8–9/12, e o Focus projeta Selic de 13,25% no fim do ano. Cortes adicionais reduzem o custo de aquisições alavancadas no middle market, mas o efeito sobre valuation deve aparecer em 2027.
- Pós-eleição. Com o segundo turno realizado em 25/10, processos adiados à espera do resultado tendem a voltar à mesa. A sinalização fiscal do novo mandato será a principal variável de prêmio de risco e de câmbio.
- Execução mais que anúncios. O trimestre deve ser de fechamentos e OPAs (Desktop, Santander Brasil, Braskem) e de aprovações regulatórias (Nexa, Prudential, Yduqs/Afya).
- Onde olhar. Carve-outs de grupos familiares e conglomerados, fechamentos de capital com desconto na B3, minerais críticos, infraestrutura de concessões e consolidação em educação, saúde e seguros.
O que isso significa para o middle market
Compradores estratégicos seguem ativos, mas seletivos. Para quem pensa em vender, o trimestre favorece preparar processos para 2027: números auditados, quality of earnings e estruturas com earn-out ou pagamento parcial em ações, que reduzem a distância entre o preço pedido e o preço ofertado num ambiente de juro real elevado.
No relatório completo
- Análise de cada transação: estrutura, valuation e leitura da Elit Capital, incluindo múltiplos e prêmios pagos.
- Gráfico do fluxo de transações por valor divulgado.
- Radar do 4T26, com os próximos marcos de sete operações e eventos e o que observar em cada um.
- Metodologia, fontes e critérios de câmbio.
Período coberto: operações anunciadas ou concluídas entre 1º de agosto e 31 de outubro de 2026. Fontes: TTR Data (jan–set/2026), Banco Central do Brasil (Copom e Focus), Alvarez & Marsal e comunicados das companhias; análise Elit Capital. Material elaborado exclusivamente para fins informativos e de análise de mercado; não constitui recomendação de investimento, oferta de compra ou venda de valores mobiliários, nem aconselhamento financeiro, jurídico ou fiscal.
