Valor, Precificação e o Ciclo de Vida das Empresas


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Uma Leitura Aplicada ao M&A.

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

Introdução

Quando estruturamos uma transação de fusão ou aquisição, uma das primeiras perguntas a se fazer deve ser quanto vale o negócio. A resposta, no entanto, não é trivial. E a razão para essa complexidade não está apenas nos modelos financeiros, está no fato de que o valor de uma empresa é inseparável do estágio de vida em que ela se encontra.

Esta é a premissa central que o professor Aswath Damodaran desenvolve em seu livro O Ciclo de Vida Corporativo (2024). Trata-se da tradução da obra mais recente do autor, que explora como empresas passam por fases de crescimento, maturidade e declínio, relacionando essas etapas às estratégias de gestão e investimento, e que ressoa com profundidade na prática de M&A.

Empresas jovens, em crescimento acelerado, maduras ou em declínio não apenas apresentam características financeiras distintas como exigem abordagens de valuation diferentes, histórias próprias e critérios de precificação específicos.

  1. Valor e Preço: Uma Distinção Fundamental

O ponto de partida de qualquer processo de avaliação de empresas, seja no contexto de uma transação, de uma captação de recursos ou de um planejamento estratégico, é a compreensão de uma distinção que parece óbvia, mas é frequentemente ignorada na prática, a de que valor e preço não são a mesma coisa.

Como temos argumentado, valor é um conceito subjetivo, que carrega em si uma função de utilidade. Uma empresa pode ter um valor percebido diferente por cada possível interessado em investir no negócio, a depender de quem está avaliando a oportunidade. O preço, por outro lado, é o valor efetivamente pago pelo comprador e aceito pelo vendedor, a relação de troca que se materializa na transação.

Damodaran refina e aprofunda essa distinção ao separar dois processos que, embora frequentemente confundidos, operam segundo lógicas completamente diferentes: o valuation intrínseco e a precificação relativa.

O valuation intrínseco busca determinar o valor de um ativo com base nos fluxos de caixa que ele é capaz de gerar, na taxa de crescimento desses fluxos e no risco a eles associado. É, em essência, o que o mercado financeiro consagrou como Fluxo de Caixa Descontado (DCF), o método considerado o mais robusto e completo para capturar o valor intrínseco de um negócio. O DCF é uma análise fundamentalista, suportada por plano de negócios, que projeta o desempenho da empresa ao longo de um período explícito até sua estabilização, capturando em seguida o valor residual na perpetuidade.

A precificação relativa, por sua vez, não parte dos fundamentos do negócio, mas da comparação com outros ativos já negociados pelo mercado. É o método de múltiplos, como o EV/EBITDA, Preço/Receita e o Preço/Lucro, que embora prático e amplamente utilizado como referência complementar, carrega uma limitação estrutural relevante. Ao comparar indicadores de empresas distintas, assume implicitamente que elas possuem as mesmas taxas de crescimento, nível de investimento e perfil de risco, o que raramente corresponde à realidade.

As duas abordagens não são mutuamente excludentes, mas complementares, e a qualidade de uma avaliação depende da habilidade de articulá-las coerentemente. Em transações corporativas, utilizamos os múltiplos de mercado de forma complementar ao DCF, como parâmetro adicional de sanidade, não como substituto da análise fundamentalista.

  1. Os Determinantes do Valor ao Longo do Ciclo de Vida

Toda avaliação de empresa, independentemente do método empregado, orbita em torno de cinco variáveis fundamentais, sendo o crescimento de receitas, as margens operacionais, a eficiência de reinvestimento, o risco (expresso na taxa de desconto) e o tempo de duração dos fluxos. O que muda dramaticamente ao longo do ciclo de vida corporativo não são as variáveis em si, mas os valores que cada uma assume, e, sobretudo, a confiabilidade das estimativas que podemos fazer sobre elas.

2.1 Empresas jovens e em crescimento inicial

Em empresas jovens, os fluxos de caixa presentes são frequentemente negativos. A empresa ainda está construindo sua base de clientes, desenvolvendo produtos, escalando operações e absorvendo investimentos que ainda não se converteram em receita. Nesse estágio, o valor da empresa reside quase inteiramente no futuro, no valor terminal, que representa o que o negócio valerá quando atingir sua maturidade.

Isso tem uma implicação prática fundamental para o M&A, caracterizando que em empresas jovens, o valuation é predominantemente uma narrativa sobre o futuro, sustentada por premissas sobre mercado endereçável, capacidade de execução da equipe, diferencial competitivo e velocidade de escala. O modelo financeiro existe para disciplinar essa narrativa, convertê-la em números verificáveis e internamente consistentes, mas não pode substitui-la. A avaliação de uma startup ou empresa em estágio inicial é, antes de tudo, um exercício de análise qualitativa traduzida em linguagem quantitativa.

É por isso que, nesse estágio, os múltiplos de precificação migram para métricas que não dependem da lucratividade, como os usuários ativos, a receita recorrente e o volume transacionado. O mercado está precificando a trajetória, não o resultado presente.

2.2 Empresas em crescimento acelerado

À medida que a empresa consolida seu modelo de negócio e começa a escalar receitas de forma consistente, o valuation ganha mais âncoras nos dados históricos. As projeções de crescimento tornam-se mais calibráveis, as margens começam a se revelar com mais consistência, e o modelo de DCF passa a trabalhar com premissas progressivamente mais robustas.

Nesse estágio, a criação de valor depende criticamente da eficiência de reinvestimento, ou seja, quanto capital é necessário para sustentar cada ponto percentual de crescimento. Empresas que crescem com baixa necessidade de capital adicional, modelos de negócio com alto retorno sobre o capital investido, criam valor de forma exponencial. Empresas que precisam reinvestir pesadamente para sustentar o crescimento podem estar crescendo sem criar valor, ou até destruindo-o.

Na prática de finanças corporativas e M&A, esse é um dos primeiros diagnósticos que realizamos ao avaliar uma empresa em crescimento, identificar a qualidade do crescimento e se ele é sustentado por vantagens competitivas genuínas ou por subsídios que não se sustentam no longo prazo.

2.3 Empresas maduras

Na maturidade, o valuation se torna mais técnico e menos narrativo. Os dados históricos são abundantes, as margens estabilizaram, o crescimento é previsível. O DCF opera com premissas calibradas em séries temporais longas, e os múltiplos de mercado encontram comparáveis mais homogêneos.

O principal risco nesse estágio não é de estimativa, mas de julgamento estratégico. A empresa madura está efetivamente gerando retornos acima do seu custo de capital, ou simplesmente distribuindo o capital que não consegue reinvestir com eficiência? Essa distinção é crucial para qualquer transação, pois uma empresa madura que retorna capital porque não encontra oportunidades de crescimento lucrativo tem um perfil de valor muito diferente de uma que distribui dividendos por disciplina financeira, mantendo um pipeline robusto de reinvestimento.

A empresa madura bem gerida é aquela que sabe adaptar-se às mudanças para seguir relevante em ambientes complexos, investindo ativamente em sua próxima geração de produtos e serviços ao mesmo tempo em que preserva a rentabilidade do portfólio existente.

2.4 Empresas em declínio

O valuation de empresas em declínio é mais complexo e sujeito a erros de julgamento, precisamente porque os preconceitos humanos são mais fortes quando os dados são desconfortáveis.

Damodaran identifica com precisão os desafios específicos desse estágio, que presenta receitas em queda ou estagnadas, margens comprimidas por custos que não acompanham a contração da operação, ativos que rendem consistentemente abaixo do custo de capital e, não raramente, uma estrutura de capital herdada de um período mais próspero que se torna cada vez mais onerosa.

O erro mais frequente na avaliação de empresas em declínio é a suposição automática de recuperação. Analistas e gestores tendem a projetar uma reversão para o crescimento que não encontra sustentação nos dados, uma forma de otimismo que o autor descreve como o sinal mais perigoso em qualquer valuation, da narrativa baseada na fé, e não em fatos e evidências.

A variável central que o professor introduz nesse estágio é a postura da gestão como driver do valuation. O mesmo conjunto de ativos pode gerar valores muito diferentes dependendo de como a gestão responde ao declínio.

  1. A Resposta da Gestão como Premissa de Valuation

Uma das contribuições mais originais do referido autor ao valuation de empresas em declínio é tratar a postura da gestão não como um fator qualitativo secundário, mas como uma variável central que determina as premissas do modelo financeiro. Ele identifica quatro respostas possíveis ao declínio, cada uma com implicações radicalmente distintas para a avaliação.

Negação. A gestão recusa-se a reconhecer a deterioração estrutural e continua operando como se o declínio fosse temporário. Mantém investimentos em níveis inadequados ao retorno que geram, preserva estruturas de custo que o volume já não justifica, e frequentemente recorre a narrativas de recuperação que não se sustentam na realidade. A consequência é a aceleração do declínio, com o capital e o valor da empresa sendo destruídos enquanto a janela para uma gestão mais eficiente se fecha.

Desespero. Reconhecendo o problema, mas sem estratégia clara, a gestão parte para aquisições indiscriminadas de crescimento, geralmente pagando prêmios excessivos por ativos que prometem reverter a tendência. É uma das formas mais eficientes de destruição de valor em M&A, comprar crescimento a qualquer custo, geralmente em estágio avançado do ciclo, quando os melhores ativos já foram adquiridos e os preços refletem o otimismo dos compradores, não os fundamentos dos alvos.

Aceitação. A gestão reconhece o declínio e age rapidamente, com lucidez. Fecha unidades que destroem valor, desinveste ativos que rendem abaixo do custo de capital, simplifica a estrutura operacional e concentra os recursos no núcleo lucrativo do negócio. É uma postura dolorosa, que exige reconhecer publicamente que o modelo atual não funciona mais, mas é a única que pode preservar valor no longo prazo.

Reinvenção. A gestão identifica competências essenciais e as aplica a novos mercados ou modelos de negócio. Essa é exatamente a lógica das aquisições transformacionais, não buscar crescimento linear, mas reconhecer que o modelo de negócio existente pode ter atingido seus limites e que a transformação, orgânica ou por M&A, é o caminho para um novo ciclo de criação de valor.

A implicação prática é direta, e significa que antes de construir qualquer modelo de valuation para uma empresa em declínio, é necessário diagnosticar corretamente a postura da gestão. Esse diagnóstico determina o conjunto de premissas sobre o crescimento de receitas, as margens, o reinvestimento e o custo de capital que o modelo irá incorporar. Um mesmo conjunto de demonstrações financeiras históricas pode gerar valuations completamente distintos dependendo de qual dessas quatro posturas se projeta para o futuro.

  1. Valuation e Precificação: Armadilhas Específicas do Declínio

4.1 A ilusão dos múltiplos baixos

Empresas em declínio frequentemente apresentam múltiplos de mercado que parecem atraentes à primeira vista. Um EV/EBITDA de 3x ou 4x, quando o setor negocia a 8x, cria a percepção de barganha. É precisamente essa percepção que pode ser ilusória, e que nossa experiência em transações corrobora.

A aparente subvalorização reflete, na maioria dos casos, um ajuste implícito do mercado ao risco de estresse que o modelo de múltiplos não captura explicitamente. O mercado está descontando a probabilidade de que o EBITDA atual não seja sustentável, que as margens continuem comprimindo, que as receitas continuem caindo, e que o valor de liquidação dos ativos seja significativamente inferior ao valor contábil.

Para o comprador em um processo de M&A, a lição é nunca precificar uma empresa em declínio com base em múltiplos atuais sem ajustar pelo risco de continuação da deterioração. O DCF, com premissas realistas sobre a trajetória do negócio e a postura provável da gestão, é o único instrumento capaz de incorporar adequadamente essa dimensão.

4.2 O valor contábil como referência enganosa

Uma armadilha recorrente na avaliação de empresas em declínio é a adoção do valor patrimonial como âncora de valuation. A lógica parece intuitiva, pois se o ativo tem um determinado valor no balanço e o mercado está pedindo uma fração deste valor, trata-se de uma oportunidade. Na prática, essa lógica ignora dois problemas estruturais.

Primeiro, o valor contábil raramente corresponde ao valor de mercado dos ativos. Equipamentos depreciados têm valor de reposição diferente do valor de livro. Os estoques podem estar obsoletos, e intangíveis como carteira de clientes, marca e know-how raramente estão adequadamente refletidos no balanço.

O segundo, o valor de liquidação, que seria a referência correta para uma empresa que não conseguirá operar lucrativamente, depende das condições de mercado no momento da venda, da urgência do processo e da qualidade dos ativos. Em situações de estresse financeiro, esses três fatores tendem a ser sistematicamente desfavoráveis ao vendedor.

4.3 O equity como opção em situações de estresse severo

Quando uma empresa em declínio carrega dívida substancial e o valor dos ativos se aproxima do valor nominal das obrigações, ocorre uma transformação fundamental na natureza do equity, que passa a se comportar como uma opção de compra sobre os ativos da empresa, com preço de exercício equivalente ao valor da dívida.

Essa é uma observação com implicações diretas para o M&A. Em empresas altamente alavancadas em situação de estresse financeiro, o valor das ações pode persistir, e até apresentar volatilidade elevada, mesmo quando a análise fundamentalista sugere que o negócio não é capaz de honrar seus compromissos. O acionista tem potencial de alta ilimitado se a empresa se recuperar, mas suas perdas são limitadas ao investimento realizado. Essa assimetria explica por que ações de empresas em estresse frequentemente resistem a ajustes que a análise de crédito já incorporou.

Para o comprador estratégico em um processo de M&A envolvendo empresa alavancada, compreender essa dinâmica é essencial para não confundir o preço das ações com o valor do negócio subjacente.

  1. Soma das Partes e o M&A como Ferramenta de Gestão do Ciclo de Vida

Uma das abordagens mais relevantes para empresas em declínio, especialmente conglomerados ou grupos empresariais com múltiplas unidades de negócio em estágios distintos do ciclo de vida, é o valuation por soma das partes (Sum of the Parts, SOTP).

A lógica do SOTP reconhece que unidades de negócio distintas dentro de um mesmo grupo podem ter características financeiras, perfis de risco e perspectivas de crescimento muito diferentes. Avaliá-las conjuntamente, aplicando uma única taxa de desconto ou um único múltiplo ao resultado consolidado, distorce o valor de cada componente e pode obscurecer oportunidades ou riscos relevantes.

O SOTP é especialmente útil em dois contextos: (a) quando assessoramos a venda parcial de um grupo, identificando quais unidades têm maior valor para determinado perfil de comprador; e (b) quando analisamos aquisições de conglomerados, buscando identificar se o valor conjunto é inferior à soma das partes, o que representa tanto uma oportunidade de criação de valor por desinvestimento quanto um sinal de alerta sobre a gestão do portfólio.

Nesse segundo caso o M&A funciona precisamente como o instrumento de reinvenção. Ao separar ativos em declínio de ativos em crescimento, o comprador cria condições para que cada unidade seja gerida segundo a lógica adequada ao seu estágio de ciclo de vida.

  1. A Narrativa como Componente do Valuation

As aquisições mais bem-sucedidas não são aquelas que pagam o menor múltiplo, mas aquelas que capturam o valor de uma transformação, seja de um novo modelo de negócio, de uma nova tecnologia, ou de uma nova forma de servir ao cliente.

Para Damodaran, todo valuation conta uma história, e a qualidade da avaliação depende da coerência entre essa história e os números que dela derivam. Modelos exclusivamente numéricos são fáceis de manipular e difíceis de defender sob questionamento. Narrativas sem números cruzam a linha entre análise e especulação. A ponte entre os dois é o que distingue um valuation defensável de um exercício de confirmação de premissas já decididas.

Para o avaliador, essa perspectiva implica uma responsabilidade que vai além da modelagem financeira. É necessário articular, com clareza e rigor, a narrativa sobre o futuro do negócio, entre possível, plausível e provável, antes de construir o modelo que a traduz em números. Essa narrativa precisa responder às perguntas fundamentais: Qual é o mercado endereçável? O modelo de negócio é sustentável? A gestão tem a competência e a postura necessárias para executar a estratégia proposta? Quais são os riscos que podem invalidar as premissas?

Quando assessoramos empresas que buscam preparar-se para uma transação, parte significativa do processo consiste exatamente em construir essa narrativa de forma consistente e bem fundamentada, identificando claramente os fatores de criação de valor, documentando o histórico de resultados, projetando cenários com premissas transparentes e conectando cada elemento da análise a uma lógica de mercado verificável.

Considerações Finais

O ciclo de vida corporativo não é apenas um conceito acadêmico, é um instrumento prático de análise que todo profissional de M&A e finanças corporativas deve dominar. Ele nos ajuda a fazer perguntas melhores, a construir modelos mais honestos e a evitar os erros mais custosos, que raramente são erros de cálculo, mas erros de julgamento sobre o estágio em que a empresa se encontra e sobre o que ela pode realisticamente entregar no futuro.

O valor de uma empresa jovem é uma aposta no potencial. O valor de uma empresa madura é a consolidação de resultados consistentes. O valor de uma empresa em declínio é uma função da coragem e da lucidez com que sua gestão reconhece a realidade e age sobre ela.

E o papel do assessor financeiro experiente, seja em um valuation, em uma transação de M&A ou no planejamento da perenidade de um negócio, é ajudar o empresário a enxergar com clareza em qual estágio sua empresa se encontra, quais são os determinantes do valor naquele momento específico, e quais decisões podem maximizar o valor criado para todos os envolvidos.

Capturar o valor potencial de uma transação requer preparo cuidadoso e execução primorosa. E esse preparo começa, invariavelmente, com uma leitura honesta do ponto em que o negócio se encontra, e do caminho que ainda tem pela frente.

 

Daniel Rivera é economista e Founding Partner da Elit Capital, assessoria boutique especializada em Fusões e Aquisições (M&A) e Finanças Corporativas, com escritórios em São Paulo e Miami. A Elit Capital foi reconhecida com o prêmio de Best Investment Banking Business of the Year 2026.

Escreve sobre finanças, M&A, economia, liberdade e mercados em @mrrivera no Substack, no LinkedIn e no Instagram.

M&A no Brasil: Perspectivas 2025


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M&A no Brasil: Perspectivas 2025.

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) iniciou 2025 em trajetória de recuperação, após um 2024 marcado pela retração no volume de operações. De acordo com a PwC Brasil, entre janeiro e maio deste ano foram registradas 596 transações, um crescimento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho sinaliza um ambiente mais favorável para M&A, mesmo diante de desafios políticos e macroeconômicos persistentes, como fragilidade fiscal, inflação desancorada, juros elevados e volatilidade cambial.

Do ponto de vista financeiro, a TTR Data aponta que as operações anunciadas no Brasil entre janeiro e maio de 2025 somaram aproximadamente US$ 35,7 bilhões (cerca de R$ 178 bilhões pela taxa média de câmbio do período), um aumento de 17% no valor agregado em relação aos mesmos meses de 2024. Esse crescimento no montante, aliado à alta no volume, reflete o impacto de transações de grande porte ocorridas nos setores de infraestrutura, energia e consolidações corporativas estratégicas.

A composição setorial das operações reforça tendências estruturais. Tecnologia manteve a liderança, respondendo por 33% das transações, impulsionada por soluções digitais, inteligência artificial e serviços em nuvem. Consumo e Varejo (15%) e Automotivo (9%) também se destacaram, refletindo movimentos de consolidação e reposicionamento estratégico. Já Energia e Serviços Públicos corresponderam a 7,5% do total, beneficiados por investimentos em infraestrutura e pela transição para fontes renováveis.

No recorte por perfil de investidor, observa-se a predominância dos compradores estratégicos, responsáveis por cerca de 83% das operações, contra 17% de participação dos fundos de Private Equity. Em 2024, os fundos representavam aproximadamente 20% do volume, evidenciando retração relativa. Essa mudança decorre de maior seletividade por parte dos investidores financeiros, que têm priorizado setores com geração de caixa previsível, como infraestrutura, energia e saúde.

A origem do capital confirma um mercado majoritariamente doméstico: 81% das transações foram conduzidas por empresas brasileiras, enquanto o investimento estrangeiro respondeu por 19%.

A expectativa para o fechamento de 2025 é de manutenção do ritmo de crescimento no volume de transações, com possibilidade de superar os números de 2023, desde que não ocorram choques macroeconômicos relevantes. Valuations atrativos, necessidade de ganho de escala e busca por inovação devem continuar impulsionando operações, especialmente em tecnologia, saúde e energia. Se confirmadas as projeções, 2025 poderá consolidar-se como um ano de retomada para o M&A no Brasil, combinando oportunidades estratégicas com a necessidade de gestão cuidadosa dos riscos.

Fontes: PwC Brasil – Relatório de M&A – Jan–Mai 2025; TTR Data – Relatório LATAM Maio 2025.

M&A – Estrutura de Remuneração.


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Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

Em 2021 o volume global de Transações Corporativas alcançou um novo recorde histórico, totalizando US$ 5,8 trilhões de dólares, um crescimento de 63% frente a 2020, segundo a consultoria Dealogic. Com a atual liquidez nos mercados financeiros e o baixo custo do capital, o movimento de Fusões e Aquisições deve seguir nessa forte tendência observada nos últimos anos, apesar da inflação persistente e iminente elevação dos juros a nível mundial.

Atravessamos um momento ímpar na história, com muitas oportunidades de fusões e aquisições sendo originadas, tanto pela degradação econômica derivada das medidas implementadas pelos governos durante 2020 e 2021, como pela agenda de investimentos em infraestrutura, os inúmeros IPOs realizados e as novas operações de abertura de capital esperadas para 2022.

Muitas empresas estão fragilizadas, com alto nível de endividamento, e acabaram por tornarem-se alvo de aquisição. Em decorrência das transformações aceleradas, impostas pelo próprio mercado, as empresas se sentem impelidas a investir pesadamente no desenvolvimento e aquisição de novas tecnologias, inovação, novos modelos e formas de se trabalhar e fazer negócios. Neste cenário, consolidação de mercado e transações transformadoras desempenham um papel vital.

Em um contexto no qual a atividade de identificação, desenvolvimento e aquisição de novas competências e tecnologias proporciona um diferencial competitivo fundamental na estratégia empresarial, uma das decisões corporativas mais importantes é a definição correta da melhor equipe a ser alocada em projetos críticos.

Segundo levantamento da consultoria Robert Half, a busca por profissionais de M&A aumentou 50% em 2021, e os recrutadores encontram dificuldade em identificar candidatos com a qualificação necessária. O mercado financeiro é o setor que oferece a melhor remuneração, e neste caso os salários no segmento de fusões e aquisições alcançam R$ 70 mil reais mensais, ou aproximadamente US$ 12 mil dólares por mês, de acordo com o “Guia de Salários 2022” elaborado pela consultoria.

A venda de uma empresa é uma das decisões financeiras mais importantes na carreira do empreendedor, e estar bem assessorado é fundamental para garantir os melhores termos, e não correr o risco de perdas significativas através de contratos perigosamente desfavoráveis. A estrutura de remuneração utilizada em transações corporativas é uma das que melhor alinham os interesses das partes envolvidas, e a comissão, ao fechamento da operação, é um dos pagamentos mais prazerosos que o cliente pode fazer, resultado de uma operação de sucesso e com o dinheiro da venda no bolso.

O processo de compra ou venda de uma empresa é complexo e de longa maturação, demandando dedicação exclusiva de profissionais especializados, por meses. O assessor de M&A adiciona valor ao processo de várias maneiras diferentes, e contribui de diversas formas. Não é simples estratificar sua contribuição em cada projeto no qual participa, mas de acordo com 3/4 dos assessores de M&A consultados por uma pesquisa global sobre o tema, a “Gestão do Processo” é a tarefa que agrega maior valor aos clientes em uma operação desta natureza, seguido por “Negociação do Deal” e “Identificação de Compradores”, citadas por metade dos entrevistados. “Preservar o Foco” da equipe de gestão na operação da empresa e “Estabelecer a Credibilidade” do processo perante o mercado foram mencionadas por 97 profissionais consultados.

A pesquisa “M&A Fee Guide 21/22”, publicada pela Axial (Axial.net), uma plataforma Americana de M&A, apresenta as principais características da estrutura de remuneração dos Assessores de Fusões de Aquisições atuantes em transações de médio porte no continente americano, com o propósito de garantir maior transparência na contratação de assessores especializados em compra e venda de médias empresas. A pesquisa foi realizada entre julho e setembro de 2021, conduzida com 269 líderes distribuídos entre EUA (79%), Canadá (16%) e América Latina (5%). O Brasil contou com a participação de 5 firmas (~2% da amostra).

A proposta de valor das firmas de M&A está mudando. Manter o bom relacionamento com potenciais investidores parece perder força neste novo contexto, dando lugar à excelência nas atividades de gestão e negociação da transação, onde a capacidade técnica e integridade dos profissionais envolvidos tem maior influência no processo. Plataformas de M&A, Data Room Virtual e bancos de dados específicos contribuem para a eficiência e automação do processo, e são cada vez mais utilizadas para identificar possíveis compradores, investidores ou mesmo empresas alvo de aquisição. Estas informações estão mais acessíveis, dependentes da qualidade das ferramentas e bases de dados utilizadas.

De acordo com o guia, a maioria dos assessores (42%) trabalha em até 5 deals por ano, e 21% participam em média de 6 a 10 negócios, enquanto 30% dos profissionais são envolvidos em mais de 10 projetos. Uma minoria (7%) trabalha em menos de um deal completo por ano. O segmento de mercado de médias empresas é dominado por boutiques de M&A enxutas, e o resultado da pesquisa sugere uma proliferação destas firmas atuando em uma quantidade menor de transações, com foco na qualidade dos projetos, em detrimento da quantidade.

Uma das características mais importantes, a serem ponderadas pelas boutiques de M&A, em suas decisões sobre o engajamento em uma transação, diz respeito ao porte do negócio que pretendem liderar. É comum definirem um valor mínimo para as transações nas quais se propõem a atuar, e mais da metade (56%) dos respondentes indicaram que o limite dos deals nos quais se envolvem é de US$ 5 milhões ou menos. Cerca de 1/3 engaja-se em negócios entre US$ 10M e US$ 20M de dólares, pelo menos. No Brasil cerca de metade do volume de transações anuais são de até R$ 50 milhões de reais, e concentram os esforços da maioria dos assessores de fusões e aquisições. A partir de US$ 50M o mercado fica mais seletivo, e apenas 11% dos assessores consultados participam destas operações.

A estrutura de remuneração do assessor de M&A é determinada, principalmente, em função do porte, complexidade e probabilidade de sucesso da operação, além das condições e intensidade da atividade no mercado de fusões e aquisições e do segmento específico do cliente. O porte da transação pretendida impacta diretamente a compensação do assessor, tanto em relação aos honorários fixos quanto à comissão, variável.

Negócios de maior relevância permitem alocar profissionais mais preparados e exigem um investimento inicial maior, elevando as chances de sucesso das iniciativas de Corporate Development. A comissão também depende do tamanho do projeto, quanto maior o deal, menor o percentual cobrado pelas boutiques. Estruturas alternativas com percentual escalável, têm ganhado força nas negociações entre as boutiques e os clientes, e pressupõem a adoção de percentuais adicionais conforme a expectativa de valor estimado para a transação é excedida, adotadas por 39% dos assessores consultados no guia. Espere também que seja estabelecida uma comissão mínima, padrão da indústria e adotada por 1/3 das firmas, especialmente para transações menores.

Clientes menores têm mais restrições orçamentárias para suportar a contratação de uma assessoria profissional especializada, além de gerarem comissões relativamente inferiores, e oferecerem chances reduzidas de sucesso, apesar de demandarem maior esforço de negociação e preparação, por parte das boutiques de M&A. Com o mercado aquecido, a tendência é que as firmas selecionem transações maiores para trabalhar, otimizando a alocação de seus recursos.

As firmas que atuam em fusões e aquisições precisam vincular seus interesses econômicos aos objetivos de seus clientes, principalmente em mandatos no Sell-Side, e os honorários fixos são fundamentais para garantir esse alinhamento e proteger tanto o cliente quanto a firma. O modelo econômico das boutiques de M&A é baseado no sucesso das operações que concretizam, não nos honorários. Mais do que apenas cobrir os custos do processo, os honorários permitem ao assessor compartilhar os riscos da operação com o cliente, e demonstram a disposição de ser recompensado principalmente no êxito, sendo comum para 1/3 dos assessores inclusive deduzir os honorários iniciais da comissão.

Transações com valor entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões de dólares costumam pagar de 4% a 6% de comissão aos assessores envolvidos. Em negócios maiores, de US$ 20 milhões a US$ 50 milhões, as comissões costumam se situar entre 2% e 4% do total negociado pela boutique contratada. Os deals acima de US$ 100 milhões são precificados de 1% a 2% do valor da transação. Em operações menores, principalmente aquelas até US$ 10 milhões de dólares, algumas firmas conseguem negociar percentuais de comissão de 6% a 8%, ou mais, conforme a pesquisa da Axial. Pela experiência da Elit Capital em Transações Corporativas, os resultados apresentados no “M&A Fee Guide 21/22” refletem adequadamente a prática das principais boutiques de M&A e bancos de investimento atuantes no Brasil.

Com a concretização da transação, a depender da estrutura, pode haver variação significativa no preço do negócio, e afetar a comissão do assessor. A forma de pagamento da comissão é um ponto importante e deve constar no contrato entre o cliente e o assessor, reforçando inclusive o alinhamento de interesses das partes. O ponto principal desta negociação é distinguir dentre os componentes do preço. Os valores referentes ao Equity ou o financiamento da transação por parte do vendedor são pagos aos assessores no fechamento da transação, independente da forma de pagamento da transação, enquanto a parte da comissão que incide sobre o valor do earnout, referente ao desempenho futuro da empresa adquirida, é recebida se e quando este de fato for recebido pelo cliente.

Os resultados do “M&A Fee Guide 21/22” revelam ainda que enquanto 86% dos profissionais cobram comissão mais honorários para executar o processo, 14% são remunerados apenas no êxito da transação. Vale mencionar que 10% das respostas são de “Corretores”, 8% de “Outros”, 3% são “Advogados” e 1% “Contadores”, que têm modelos de trabalho diferentes do assessor de M&A, que representa 75% das respostas do guia.

De certa forma, a parcela de profissionais remunerados apenas no êxito parece ser um resultado surpreendente para os organizadores do guia, que entendem que esse fenômeno possa retratar situações específicas, como no caso de negociação por parte das principais boutiques de M&A junto aos grandes clientes por comissões maiores, ou ainda devido aos novos entrantes no mercado, em busca dos primeiros clientes, para formar uma carteira de mandatos e provar sua capacidade de execução, ou simplesmente representa a parcela de corretores e outros profissionais que responderam ao formulário. Se considerarmos apenas o mercado brasileiro de transações corporativas, que por aqui não é regulado, como ocorre nos EUA, a quantidade de profissionais sem formação especializada em M&A, que se propõem a trabalhar sem honorários, é provavelmente bem maior.

Ainda de acordo com o guia da Axial, considerando-se apenas as firmas que cobram honorários, além de comissão variável sobre o êxito da transação, o mais comum é a cobrança de honorário fixo, declarado por 42% dos participantes da pesquisa, sendo que a maioria destes cobra ao menos US$ 15 mil dólares para desenvolver o trabalho. Outros 35% adotam honorários entre US$ 10 mil e US$ 15 mil dólares por mês. Os 9% restantes são contratados por hora.

Assessores de M&A qualificados são firmes quanto a sua estrutura de remuneração, e deixam claro o valor de seus serviços aos clientes. Para garantir os melhores termos e condições possíveis em suas negociações, atrair múltiplos investidores potenciais qualificados, e superar os principais obstáculos e desafios inerentes às operações de fusões e aquisições, as empresas buscam identificar e contratar os profissionais mais bem preparados, com experiência em traçar estratégias vencedoras e proteger os interesses da empresa, de forma a garantir um excelente retorno para seus investimentos.

A experiência dos vendedores bem-sucedidos em M&A


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Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

Grandes empresas, investidores institucionais e fundos de investimento (Private Equity, Venture Capital, Family Offices, Pension Funds, Endowments, etc) bem como multinacionais, costumam contratar assessores especializados e banqueiros de investimento para liderar processos de venda de participação societária e atração de investidores para suas empresas, investidas, ou mesmo certos ativos de seus portfólios, pois compreendem o valor que esses serviços agregam.

Assessores especializados em transações corporativas estabelecem um padrão profissional para o processo, nivelando experiência e conhecimento entre investidores profissionais e vendedores, em especial no caso de vendedores inexperientes.

Estudo inédito publicado por um professor de finanças da Fairfield University em outubro de 2016, “The Value of Middle Market Investment Bankers”, Michael B. McDonald IV, revela o valor dos serviços prestados por Bancos de Investimento e Boutiques de M&A, em uma pesquisa com proprietários de empresas de médio porte que venderam com sucesso seus negócios.

Com o propósito de examinar (i) a forma como assessores de M&A agregaram valor em Fusões e Aquisições e (ii) classificar os serviços mais valorizados por empresários, participaram da pesquisa donos de 85 empresas Americanas de médio porte, e chegou-se às seguintes conclusões:

1. Vendedores bem-sucedidos valorizam em especial a Gestão e Estratégia da Transação. Estabelecer um processo competitivo bem estruturado, e adotar a estratégia correta, eleva o valor recebido pelos sócios, como demonstrado pelo estudo;

2. Estruturação e negociação. Altamente valorizados por empresários que venderam seus negócios, assessores experientes, com conhecimento específico, agregam valor através de estruturas e soluções personalizadas, apresentando instrumentos para equilíbrio dos interesses, redução de riscos e alcance dos objetivos, elevando as chances de sucesso.

Identificar um comprador ou investidor para o negócio, questão que os vendedores costumam dar maior importância ao avaliar a contratação de um assessor, ou mesmo ao considerar acionar corretores, mostrou-se na realidade o serviço de menor relevância para os vendedores bem-sucedidos ao final do processo.

De fato, boutiques e bancos de investimento bem estruturados possuem ferramentas, bancos de dados, conexões e acesso a redes de contatos que permitem identificar e qualificar potenciais investidores e compradores, e todos os bons assessores tem essa capacidade. O perfil do comprador que enxerga mais valor no negócio proposto é o que se deve buscar, de forma ativa pelos assessores, e para isso existem ferramentas sofisticadas. O desafio é estar devidamente preparado e bem assessorado, pois identificar os interessados é o de menos para quem sabe o que está fazendo.

DealMaking – Sucesso em M&A


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Por Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

O sucesso não é mera obra do acaso, precisa ser construído através de ações planejadas e bem executadas. É necessário assumir a postura de protagonista. Adotar uma postura passiva, simplesmente esperando uma oportunidade aparecer, não costuma gerar bons resultados.

Há particularidades em processos de fusões e aquisições que apenas profissionais experientes conseguem antecipar. Detalhes que podem comprometer o projeto ou causar prejuizos incalculáveis.

Operações desta natureza exigem análises pertinentes a diversas áreas do saber. Assessores de M&A participam ativamente de transações corporativas e acumulam conhecimento especializado para identificar e evitar as mais variadas armadilhas, mitigar riscos de potenciais contingências e implementar os mecanismos necessários.

Quem nunca vendeu uma empresa ou não participou de nenhum processo destes, por vezes pode acreditar que a função de um assessor é apenas encontrar o comprador ou investidor interessado em adquirir uma participação na empresa. A verdade é que esta é apenas uma das etapas, e não garante por si só que a operação seja concluida com êxito ou mesmo dentro de parâmetros desejáveis a fim de evitar sérios problemas futuros.

Enquanto corretores limitam-se a apresentar interessados (ou curiosos), o que por vezes pode ter valor, a empresa ainda precisará cumprir uma série de outras etapas e enfrentar um longo e exaustivo processo, geralmente negociando com compradores bem assessorados por profissionais altamente qualificados. Contratar um assessor de M&A, ou banqueiro de investimento, é essencial não só para identificar partes interessadas, mas também para desenvolver uma série de outros serviços fundamentais, como estruturar a operação, preparar a empresa e material relacionado, conduzir as negociações e gerenciar as expectativas dos envolvidos, liderar o processo e elevar as chances de concluir com sucesso a transação, além de permitir ao empresário e administradores continuar a gerir as operações cotidianas.

A experiência do assessor complementa as competências dos proprietários sobre seus negócios, visão de mercados e possíveis parceiros. Utilizando bancos de dados de investidores e aplicando outras tecnologias em M&A para alavancar sua rede de contatos, o assessor identifica, qualifica e conecta-se com os parceiros com maior potencial em enxergar valor na operação.

Contratar uma boutique de M&A também demonstra ao mercado que há compromisso genuíno e representação profissional, valorizando a empresa e elevando a probabilidade de sucesso. O profissional tem responsabilidade por promover o negócio do cliente, manter a transação viva e competitiva, coordenar todos os aspectos da transação, bem como gerenciar os demais assessores envolvidos e as expectativas das partes.

As empresas raramente estão preparadas para enfrentar um processo intenso e de longa maturação quando a oportunidade surge. É preciso estar sempre preparado para uma transação, mesmo que não seja um objetivo no curto prazo. Trata-se de um compromisso com o aperfeiçoamento constante das práticas de gestão e geração de valor aos acionistas. A assessoria ajuda a empresa nesta preparação, para que esteja em condições de enfrentar este desafiador e exaustivo processo quando for o momento adequado. A abordagem contempla a elaboração do modelo econômico-financeiro e análises gerenciais complementares, implementação de um sistema de gestão conínua do valor da empresa, organização dos processos, informações confidenciais e documentos sensíveis, além do valuation e materiais técnicos relacionados à transação.

Complexa e intensa, uma operação de M&A dura em média entre seis e doze meses, sem contar o período de preparação prévia, e demanda dedicação de uma equipe especializada. Ao assumir a liderança do projeto, a boutique permite que os sócio e administradores continuem a se dedicar ao negócio. O tempo dos diretores é precioso e mais bem empregado na operação, pois a empresa precisa continuar crescendo e desenvolvendo suas atividades.

Existem muitas estruturas possíveis para transações corporativas, para além da fusão ou aquisição.
Estruturar a transação atendendo as necessidades específicas e desejos do cliente, oferecendo soluções inteligentes e criativas, é um dos serviços de maior valor agregado oferecidos por boutiques e bancos de investimentos. A liderança na estruturação, bem como o suporte ao longo de todas as fases da negociação, due diligence e closing, inclui discussões sobre os termos e condições envolvidas, preço, prazo, opções, garantias e demais considerações. A composição adequada destes fatores é fundamental para viabilizar o negócio com sucesso.

Valuation – Resolvendo as diferenças


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Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

 

 

Em uma transação corporativa a discussão sobre o preço é uma das mais desafiadoras, principalmente devido à incerteza inerente às projeções para o negócio.

Muitas transações deixam de ser concretizadas por discordância de preço. Com a intenção de maximizar seus retornos, comprador e vendedor muitas vezes restringem a discussão a este ponto, reduzindo assim as chances de realizar um negócio que beneficiará a ambos. Se o comprador acredita que seu retorno está principalmente nesta discussão, provavelmente ainda não desenvolveu uma visão clara sobre as potenciais sinergias que podem ser capturadas com o deal.

Definir o valor de uma empresa se dá em função das expectativas que se tem para seus produtos e respectivo mercado de atuação. A visão pode diferir significativamente entre as partes, e identificar formas de fundamentar adequadamente a avaliação pode ajudar a reduzir as diferenças.

Quando a incerteza é muito grande, podemos utilizar mecanismos para aproximar as partes, sem se limitar à definição do preço no momento da transação. Considerar compensações além desta questão pode inclusive elevar o valor total de venda, enquanto reduz o risco para o comprador, principalmente se o valor da empresa efetivamente evoluir ao longo do tempo.

Uma modelagem financeira bem fundamentada, em especial utilizando-se softwares de análise preditiva ou mesmo prescritiva, pode ser o primeiro passo em direção a uma discussão mais embasada sobre as probabilidades de resultado que se pode esperar para o negócio.

Outra pratica comum para convergência é o mecanismo de earnout, utilizado para compensação adicional do vendedor, mediante atingimento de desempenho futuro. Geralmente atrelado a métricas de crescimento e geração operacional de caixa, o earnout oferece uma solução de alinhamento de interesses em situações onde há diferença significativa de expectativas.

Uma opção que pode ser estudada é a venda majoritária, mantendo-se o vendedor como conselheiro. A estrutura pode ser conveniente quando a perspectiva para a empresa é favorável. Com uma participação reduzida, digamos entre 10% e 30%, por exemplo, o vendedor pode viabilizar a transação, reduzindo o investimento inicial requerido do comprador, e ainda se beneficiar de resultado positivo futuro. O comprador poderá contar com a experiência do vendedor como conselheiro, com interesses alinhados e incentivo para buscar a visão proposta.

Existe uma prática, comum em alguns países, que consiste na concessão de empréstimo direto do comprador ao vendedor, que fica portanto obrigado a pagar principal mais juros ao vendedor durante um determinado período. Esta opção oferece uma solução flexível, negociada diretamente entre as partes, sem necessidade de envolvimento de instituições financeiras. Uma vantagem desta estrutura é a redução do desembolso inicial para o comprador, tornando a transação mais acessível, e garantindo estabilidade de fluxo de caixa para o vendedor, inclusive com potencial de elevar o valor final de venda.

Negociações de transações corporativas são complexas e envolvem muitas variáveis sensíveis. São diversas etapas desafiadoras, como a definição da estratégia, screening, discussão de valuation, estrutura societária adequada e integração pós fusão. Processos de fusões e aquisições demandam conhecimento especializado em muitos campos de atuação e requerem o envolvimento de assessores financeiros, legais, auditores e outros, como fornecedores de tecnologia, além da anuência de instituições financeiras, CVM ou mesmo clientes relevantes.

O valor, em M&A, não está apenas no preço.

O Valor da Estratégia Inorgânica


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Quando pensamos em criar valor através da estratégia inorgânica de crescimento logo estimamos as sinergias que serão viabilizadas com a transação, mas o triunfo em transações corporativas inicia-se muito antes de sequer identificarmos a empresa alvo de aquisição.

Perspectiva e propósito da aquisição, e não simplesmente barganha de preço da compra, são os verdadeiros motivos que devem ser considerados em uma aquisição empresarial, a forma pela qual o valor pode ser alavancado.

É preciso definir claramente os objetivos e critérios de investimento da agenda inorgânica de crescimento. Uma estratégia de M&A sólida e sustentável implica em antecipar cenários, mapear riscos e tendências do negócio, compreender o cenário político e econômico, consciência da dinâmica dos mercados locais e globais, estar atento às mudanças em tecnologias relacionadas, mas sobretudo consiste em constituir opções estratégicas e precificá-las através das ferramentas adequadas a fim de elevar efetivamente a competitividade e o valor da empresa.

O ambiente altamente dinâmico de uma transação de M&A requer uma abordagem ágil, adaptativa às necessidades em constante evolução da empresa. Para ser bem sucedida neste ambiente a empresa terá de implementar uma gestão ativa da transação desde o início, constituindo uma equipe multidicilinar conforme a necessidade do projeto. Terá de escolher as ferramentas e softwares certos para o processo, a fim de ganhar tempo e reduzir custos relacionados à ineficiência e falta de transparência, otimizando a execução da estratégia.

Bons negócios em M&A geralmente envolvem um vendedor com a motivação adequada, oportunidades claras de melhoria na operação alvo, e possivelmente alavancagem financeira. A analise de transações desta natureza deve identificar ainda o momento mais propício com relação ao ciclo econômico, especialmente interessante após períodos mais desafiadores para o segmento em análise. Outro fator importante a ser considerado é o custo de capital praticado, de forma a permitir alavancar a operação.

A conclusão da aquisição é seguida pela integração das operações, a depender da estratégia, e geralmente envolve a consolidação dos ativos, sistemas, serviços, infraestrutura, e consiste em uma série de atividades complexas, comumente inter-relacionadas, que precisam ser devidamente planejadas e priorizadas antes mesmo de se concretizar a aquisição. Uma integração má conduzida reduz substancialmente o potencial de apropriação do valor da transação, portanto é fundamental envolver a equipe responsável pela integração desde as primeiras etapas do processo.

Utilizar as ferramentas corretas traz muita eficiência à transação. Um software especializado em gestão de projetos de M&A, com recursos adicionais de Data Room Virtual, por exemplo, permitirá à equipe acompanhar as atividades críticas, centralizar a comunicação e garantir acesso aos documentos sempre na versão mais atual, com agilidade e transparência. A plataforma permite planejar melhor a processo, torna a execução eficiente e possibilita que a integração se benificie de todo o histórico de documentos, mensagens e contribuições dos colaboradores envolvidos ao longo da projeto.

Outra etapa indispensável é o desenvolvimento do modelo econômico-financeiro, para que se tenha uma visão clara do valor gerado pela transação. Um software inovador que tem sido utilizado pela Elit Capital agrega métodos estocásticos e realiza projeções probabilísticas, fundamentando a avaliação da transação e permitindo a futura gestão consolidada do valor da empresa.

Com perspectiva favorável e juros baixos, a conjuntura atual parece previlegiar estratégias de crescimento inorgânico e o investimento empresarial. Para aproveitar as opções disponíveis é fundamental se preparar e estar bem assessorado, pois o mercado é eficiênte e os concorrentes não costumam deixar escapar bons negócios.

 

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

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