Infraestrutura, capital privado e desenvolvimento: os desafios da FBCF no Brasil.


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Infraestrutura, capital privado e desenvolvimento: os desafios da FBCF no Brasil.

A Formação Bruta de Capital Fixo no Brasil: uma década de transição e desafios estruturais.

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

Ao longo da última década, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no Brasil passou por transformações significativas que revelam não apenas mudanças conjunturais, mas também uma reconfiguração estrutural do modelo de investimento nacional.

A FBCF, que representa os investimentos em ativos fixos como máquinas, equipamentos e infraestrutura, é um dos principais indicadores da capacidade produtiva de um país. Entre 2015 e 2025, sua trajetória no Brasil foi marcada por oscilações, avanços setoriais e uma crescente participação do capital privado, especialmente estrangeiro, em detrimento do investimento público direto.

A eficiência na alocação de capital em projetos de investimento é um dos pilares do desenvolvimento econômico sustentável. Quando os recursos financeiros são direcionados de forma adequada, eles não apenas maximizam o retorno para investidores e empresas, mas também geram como consequência benefícios sociais amplos que se refletem na qualidade de vida da população.

Um investimento eficiente em infraestrutura melhora a logística do país, reduz gargalos produtivos e eleva a competitividade das empresas brasileiras no mercado global. Projetos bem planejados e executados mobilizam mão de obra, estimulam cadeias produtivas e fortalecem economias locais. Esse efeito multiplicador da alocação eficiente de capital contribui para a geração de empregos, ampliando a inclusão social e favorecendo a redução das desigualdades por meio do trabalho e geração de renda.

Alocar capital de forma eficiente não é apenas uma questão de retorno para os investimentos empresariais, mas também um mecanismo de transformação social. O financiamento privado de projetos, especialmente em infraestrutura, expansão industrial, tecnologia e inovação, proporciona ganhos de produtividade e permite a adoção de novos modelos de negócios, ampliando a diversidade econômica. Esses avanços melhoram o acesso da população ao consumo e elevam os níveis de qualidade de vida. A consequência é uma sociedade mais próspera e inclusiva, capaz de reduzir desigualdades e promover desenvolvimento sustentável.

Os impostos exercem influência negativa sobre a dinâmica dos investimentos privados, pois reduzem a capacidade de investimento, comprometem a rentabilidade esperada dos projetos e diminuem a disponibilidade de capital para reinvestimento. Uma carga tributária elevada ou complexa, que direciona parcela significativa dos recursos das empresas ao pagamento de tributos, somada à burocracia e à instabilidade regulatória, restringe os recursos destinados à expansão produtiva, à inovação e à infraestrutura. Os impostos limitam, portanto, a capacidade de investimento privado de longo prazo e o incentivo econômico para as empresas assumirem riscos em setores estratégicos.

Na última década, a carga tributária sobre investimentos no Brasil oscilou entre 31% e 33% do PIB, apresentando tendência de crescimento nos anos mais recentes. Houve retração em períodos de crise, como em 2015–2016 e em 2020, seguida de retomada gradual, que culminou em 2024 com o índice de 32,32% do PIB. Em 2025, novas medidas fiscais foram anunciadas, ampliando ainda mais o peso da tributação sobre os investimentos.

O Protagonismo do Investimento Privado.

A principal mudança observada nos investimentos ao longo dos últimos anos foi o aumento contínuo da participação privada na composição da FBCF. Em 2015, o setor privado respondia por cerca de 68% dos investimentos fixos, proporção que avançou para quase 75% em 2025. Essa tendência evidencia a transição do protagonismo estatal para um modelo descentralizado e claramente mais eficiente, no qual empresas privadas, nacionais e estrangeiras, assumem papéis estratégicos na expansão da infraestrutura.

A retração fiscal do setor público, agravada por sucessivas crises políticas e econômicas, com restrições orçamentárias crescentes, abriu espaço para que o capital privado ocupasse áreas antes dominadas pelo Estado, como energia, saneamento e transportes. Esse movimento tem consolidado o investimento privado como o verdadeiro responsável pelo desenvolvimento econômico nacional.

Esse movimento foi acompanhado pela expansão das concessões e das parcerias público-privadas (PPPs), especialmente após a aprovação de marcos regulatórios setoriais, como o novo marco legal do saneamento em 2020. A crescente confiança regulatória e a abertura de mercado estimularam a entrada de fundos internacionais em setores de alta demanda e retorno, como energia renovável, telecomunicações e logística. Estima-se que o capital estrangeiro tenha representado entre 15% e 20% da FBCF ao longo da década, com destaque para os anos mais recentes, quando os aportes externos se intensificaram diante dos grandes projetos de infraestrutura e da atratividade dos ativos brasileiros.

A composição setorial da FBCF também revela mudanças significativas ao longo da última década. Os setores de energia elétrica, transportes, telecomunicações e saneamento concentraram a maior parte dos investimentos em infraestrutura. A energia liderou, com cerca de 35% da FBCF acumulada, impulsionada por projetos de geração solar e eólica e pela expansão da rede de transmissão. Em seguida vieram os transportes, com 25%, refletindo aportes em rodovias, ferrovias e portos. Telecomunicações e saneamento, com 15% e 10% respectivamente, apresentaram crescimento consistente, especialmente após avanços regulatórios e tecnológicos. Já o agronegócio, embora com participação menor (8%), manteve investimentos relevantes em armazenagem, irrigação e logística rural, reforçando sua importância para a economia nacional.

Apesar dos avanços, o Brasil ainda investe abaixo do necessário para superar seus gargalos históricos. Em 2025, os investimentos em infraestrutura devem alcançar cerca de 2,21% do PIB, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), enquanto o ideal seria próximo de 4%, patamar considerado mínimo para garantir a modernização e a expansão da infraestrutura nacional. Essa lacuna reforça a necessidade de ampliar a capacidade de financiamento, aumentar a eficiência dos projetos e assegurar que os investimentos atendam às demandas sociais e regionais do país.

A predominância do capital privado em projetos de investimento é extremamente positiva, sobretudo em função da sua melhor eficiência na alocação do capital, dinamismo e capacidade de inovação. Esse protagonismo requer atenção especial e constante à regulação e aos riscos de longo prazo, pois o ambiente nacional ainda apresenta elevado nível de incerteza.

A Formação Bruta de Capital Fixo no Brasil no Brasil é sustentada por uma composição de fontes de capital que combina eficiência privada e inovação financeira. Atualmente, é financiada por recursos próprios das empresas, crédito bancário, mercado de capitais (debêntures, fundos de investimento, FIDCs, Fiagros e fundos imobiliários), além de aportes públicos via BNDES e parcerias público-privadas (PPPs).

O mercado de capitais tem ganhado relevância no financiamento dos investimentos privados, impulsionado pela reorientação do financiamento público, e consolidou-se como um dos principais provedores de recursos para a economia real. A composição atual evidencia a crescente participação do setor privado e do capital estrangeiro no financiamento de projetos no país. Tanto o mercado de capitais quanto as parcerias público-privadas ampliaram a diversidade dos instrumentos de financiamento, reduzindo a dependência exclusiva de crédito bancário e de recursos públicos. Entretanto, os projetos de investimento ainda enfrentam desafios significativos, como a elevada carga tributária e o alto custo do crédito.

Os juros altos limitam a capacidade de investimento, enquanto os períodos de queda estimulam novos projetos e ampliam a participação privada na economia. Nos últimos dez anos, a relação entre investimentos e taxas de juros no Brasil foi marcada por ciclos de expansão e retração. Entre 2015 e 2016, a Selic alcançou níveis superiores a 14% ao ano, em resposta à crise econômica e às pressões inflacionárias daquele período. Esse cenário encareceu o crédito, desestimulou investimentos produtivos e tornou o custo de capital proibitivo, inviabilizando diversos projetos.

A partir de 2017, iniciou-se um ciclo de queda gradual dos juros, que atingiram o menor nível histórico em 2020, em razão da crise sanitária, chegando a 2% ao ano. Esse movimento favoreceu a retomada dos investimentos privados, especialmente em infraestrutura. Contudo, em 2021 e 2022, como consequência das distorções provocadas pelas medidas adotadas durante a crise, a Selic voltou a subir de forma acentuada para conter as pressões inflacionárias, retornando a patamares de dois dígitos e reduzindo o ritmo dos investimentos.

A taxa Selic iniciou 2023 em 13,75% ao ano e passou por cortes graduais, encerrando dezembro em 11,75%, em sinal de confiança do Banco Central na desaceleração da inflação e como estímulo à economia. Já em 2025, o ciclo voltou a ser de alta, refletindo pressões inflacionárias decorrentes do desequilíbrio fiscal e impondo a necessidade de uma política monetária mais restritiva. A Selic foi mantida em 15,00% ao ano, patamar considerado pelo Banco Central como essencial para assegurar a convergência da inflação à meta. O cenário atual aponta para a manutenção de juros elevados por um período prolongado.

Em síntese, a evolução da FBCF no Brasil entre 2015 e 2025 revela um país em transição: menos dependente do investimento público direto, mais aberto ao capital privado e estrangeiro, e com setores estratégicos assumindo maior protagonismo. Essa trajetória indica que o futuro dos investimentos estará cada vez mais condicionado à qualidade institucional, à estabilidade regulatória e à capacidade de planejamento de longo prazo. Trata-se de uma tendência que consolida um modelo de financiamento capaz de promover crescimento sustentável, modernização produtiva e desenvolvimento econômico.

Fontes:

Trading Economics (https://pt.tradingeconomics.com/brazil/gross-fixed-capital-formation).

Ipea (https://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/index.php/tag/fbcf/).

Agência Brasil (https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-06/cni-estima-que-investimento-em-infraestrutura-vai-crescer-42-em-2025).

 

 

Juros, Inflação e Crescimento: Perspectiva Econômica para 2026 e 2027.


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Juros, Inflação e Crescimento: Perspectiva Econômica para 2026 e 2027.

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

A economia global se encaminha para um período de crescimento moderado e assimétrico, segundo o relatório Global Macro Outlook 2026-27, publicado pela Moody’s em novembro de 2025. O documento destaca que divergências nas políticas monetárias e mudanças nas cadeias comerciais estão moldando um cenário de expansão estável, que impõem desafios estruturais e riscos distribuídos de forma desigual entre países desenvolvidos e emergentes.

Crescimento Global: Estabilidade com Assimetria.

A projeção de crescimento mundial gira entre 2,5% e 3% ao ano, abaixo da média histórica. Economias avançadas, como Estados Unidos, Europa e Japão, enfrentam desaceleração estrutural causada por envelhecimento populacional, juros elevados e baixa produtividade. Os mercados emergentes, como Índia, México e Vietnã, por outro lado, mantêm um maior dinamismo, impulsionados por consumo interno, digitalização e foco em investimentos em infraestrutura.

Política Monetária e Inflação: Uma Relação de Causa e Controle.

A política monetária é o principal instrumento utilizado pelos bancos centrais ao redor do mundo para gerir a inflação. Ela atua por meio da regulação da taxa básica de juros, influenciando diretamente o custo do crédito, o consumo, investimento e, por consequência, os preços da economia. Quando a inflação está alta, o banco central eleva os juros para conter a demanda agregada. Quando a inflação está baixa ou a economia desacelera, os juros podem ser reduzidos para estimular a atividade.

No Brasil, essa dinâmica é regida pelo regime de metas de inflação, adotado desde 1999. O Conselho Monetário Nacional (CMN) define a meta anual de inflação, e o Banco Central do Brasil (BACEN) ajusta a taxa básica de juros (Selic) buscando manter a inflação dentro de uma faixa de tolerância. Essa meta funciona como uma âncora nominal, ou seja, uma referência, para orientar as expectativas dos agentes econômicos. Quando a meta é crível e respeitada, ela reduz incertezas, facilita o planejamento dos agentes e evita que choques temporários se transformem em inflação persistente, desancorada.

O Papel da Âncora de Inflação

A âncora de inflação tem como objetivo preservar a estabilidade macroeconômica. Ela atua sobre três frentes:

  • Expectativas dos agentes econômicos: Empresas e consumidores ajustam seus preços e salários com base na expectativa de inflação futura;
  • Credibilidade da política monetária: Quando o Banco Central demonstra compromisso com a meta, os agentes confiam que a inflação será controlada, ancorando as expectativas do mercado;
  • Eficiência da política monetária: Com expectativas bem ancoradas, o Banco Central pode agir de forma mais precisa, para evitar oscilações abruptas na taxa de juros.

A âncora pode ser enfraquecida por fatores externos à política monetária, especialmente quando o próprio governo gera pressões inflacionárias.

Mecanismos de Expansão Monetária e Seus Impactos: Como o Governo Gera Inflação.

Embora o Banco Central seja responsável por ancorar as expectativas e gerir o processo inflacionário, é importante deixar claro que o próprio governo é fonte de desequilíbrios que dificultam essa gestão da inflação por parte do BACEN. As principais formas de geração de inflação por parte do governo incluem:

  1. Expansão Monetária para Financiamento de Déficits Fiscais.

Ao gastar mais do que arrecada, o governo incorre em déficit fiscal. Para financiá-lo, recorre a emissão de dívida pública e, em casos extremos, à emissão direta de moeda, prática conhecida como seigniorage. Embora o Brasil tenha vedado a monetização direta da dívida pelo Banco Central desde a instituição do Plano Real, formas indiretas de financiamento monetário ainda ocorrem, como por exemplo:

  • Compra de títulos públicos pelo Banco Central no mercado secundário;
  • Pressão política para manter juros artificialmente baixos, facilitando o financiamento da dívida.

Esse aumento da base monetária, sem correspondente aumento da produção, eleva a quantidade de dinheiro em circulação, pressionando a demanda e os preços.

  1. Política Fiscal Expansionista sem Contrapartida de Produtividade.

Mesmo sem emissão direta de moeda, gastos públicos excessivos podem gerar inflação. Quando o governo injeta recursos na economia, seja por meio de mecanismos de transferências de renda, subsídios setoriais ou investimentos, sem respectivos ganhos de produtividade ou aumento da oferta, a demanda agregada cresce artificialmente, gerando o que se conhece por inflação de demanda.

  1. Desvalorização Cambial Induzida por Incerteza Fiscal.

A política fiscal desorganizada influência na confiança dos investidores, levando à fuga de capitais e à desvalorização monetária. O Brasil é dependente de uma série de insumos e bens importados, e essa desvalorização encarece a importação de produtos estrangeiros, gerando inflação de custos internamente.

  1. Intervenção Estatal em Preços Administrados.

O governo controla diretamente ou indiretamente os preços de diversos bens e serviços da economia, como combustíveis, energia elétrica e transporte público. Ao intervir na economia e reprimir preços artificialmente, o governo gera distorções e ineficiências no mercado. Em muitos casos, cria-se uma inflação “represada” que, quando liberada, gera choques inflacionários abruptos.

  1. Subsídios e Incentivos Fiscais Mal Direcionados.

Subsídios setoriais e incentivos fiscais, quando concedidos sem planejamento bem fundamentado, critérios técnicos rígidos ou sem a sustentação orçamentária, distorcem os preços relativos e criam ineficiências os mercados. Além disso, aumentam o gasto público ineficientes e reduzem a atividade econômica e respectivamente a arrecadação, ampliando o déficit fiscal e a pressão inflacionária.

  1. Aumento de Impostos Indiretos.

Tributos como ICMS, PIS/COFINS e IPI incidem diretamente sobre o consumo. Quando o governo aumenta as alíquotas destes impostos para compensar os déficits fiscais causados por suas políticas equivocadas, o impacto é repassado aos preços finais, elevando a inflação.

Estimativas da Taxa Neutra e o Caso Brasileiro.

Estudos recentes da Rio Bravo Investimentos reforçam a complexidade da política monetária brasileira. Em junho de 2025, o economista José Alfaix indicou que, mesmo em cenário considerado como ideal, a taxa Selic precisaria estar em torno de 15% para conter pressões inflacionárias e manter a estabilidade. Outro estudo mais recente da mesma casa estima que a taxa de juros real neutra no Brasil seria de 5,7%, o que implicaria uma Selic nominal de aproximadamente 9%, mesmo com inflação supostamente controlada.

Essas estimativas indicam que o Brasil parece exigir juros estruturalmente mais altos, um reflexo dos seus riscos fiscais, sua baixa credibilidade institucional e vulnerabilidades cambiais. Comparativamente, outras instituições nacionais, como os bancos Itaú, BTG Pactual e a XP Investimentos, atualmente projetam taxas neutras em uma faixa entre 4% e 5%, e parecem assumir avanços fiscais e melhora nos níveis de confiança, mesmo com a ausência de sinais claros por parte do governo neste sentido.

Definição do Custo de Capital: Bancos Centrais vs Livre Mercado.

A definição do custo de capital, ou seja, da taxa de juros, pelos bancos centrais, em detrimento da precificação pelo livre mercado, pode gerar distorções significativas. Embora aparentemente necessária em regimes monetários considerados modernos, essa prática de definição centralizada do preço do dinheiro tem efeitos negativos quando mal calibrada.

A precificação de capital é o processo de determinar o custo de oportunidade de um investimento, ou seja, o retorno mínimo necessário para justificar um projeto. O modelo mais conhecido e mais aceito pelo mercado é o CAPM (Capital Asset Pricing Model), que calcula o retorno esperado de um ativo com base em seu risco sistemático, combinando a taxa de juros livre de risco com um prêmio de risco.

  • Alocação ineficiente de recursos: Juros artificialmente baixos incentivam investimentos em projetos de baixa produtividade, gerando bolhas de ativos;
  • Alavancagem excessiva: Com crédito barato induzido pelo BACEN, empresas e consumidores se endividam além do razoável, aumentando o risco sistêmico;
  • Desincentivo à poupança: Juros reais negativos, por outro lado, reduzem o retorno da poupança, comprometendo o financiamento doméstico de longo prazo;
  • Sinalização econômica distorcida: A intervenção do BACEN na definição dos juros pode gerar distorções no mercado, fazendo o custo do capital perder a sua função de sinalizar escassez de recursos e risco;
  • Volatilidade cíclica: Estímulos monetários prolongam artificialmente os ciclos de expansão, gerando correções abruptas;
  • Dependência institucional: Economias que se acostumam com juros definidos centralmente tendem a perder disciplina fiscal, confiando excessivamente em estímulos monetários.

Reconfiguração Comercial e Perspectivas Regionais

A fragmentação comercial global se intensificou, com destaque para o desacoplamento entre EUA e China. Empresas buscam diversificar fornecedores, beneficiando países como México, Índia e Vietnã. A transição exige investimentos em infraestrutura e estabilidade política, podendo elevar custos no curto prazo, mas aumentar a resiliência no longo.

No Brasil, o crescimento é gradual, sustentado por exportações agrícolas e minerais, limitado por desafios fiscais e institucionais. A política monetária restritiva, combinada com a necessidade de reformas estruturais, define o ritmo mais lento para uma possível recuperação.

Conclusão

A interação entre política monetária, inflação e crescimento revela um cenário complexo, tanto global quanto nacional. O Brasil, em particular, enfrenta o desafio de equilibrar credibilidade fiscal com estímulo à atividade, em um ambiente de juros estruturalmente elevados e impostos cada vez mais altos, desincentivando investimentos. A coordenação entre política monetária e fiscal será decisiva para garantir uma estabilidade econômica mínima para tentar viabilizar um crescimento sustentável nos próximos anos.

Referências:

  • Moody’s Analytics – Global Macro Outlook 2026-27 (Nov/2025)
  • Rio Bravo Investimentos – Estudo sobre taxa neutra e Selic ideal (Jun/2025)
  • Banco Central do Brasil – Regime de Metas de Inflação
  • Instituto Assaf – Análise conceitual do custo de capital
  • Money Times – Entrevista com José Alfaix (Rio Bravo)

Desigualdade, Pobreza e Desenvolvimento Econômico: O Brasil Precisa de um Novo Foco.


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Desigualdade, Pobreza e Desenvolvimento Econômico: O Brasil Precisa de um Novo Foco.

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

O Brasil enfrenta uma profunda desigualdade social, marcada pela concentração de capital nas mãos de poucos grupos.

A nossa realidade tem raízes históricas relevantes, inclusive abordadas por estudos premiados com o Nobel de Economia em 2023, de Daron Acemoglu e James A. Robinson, que exploram como instituições políticas e econômicas são a causa fundamental das diferenças de crescimento e riqueza, moldam o destino das nações e determinam sua prosperidade.

Ainda assim, persiste entre muitos brasileiros uma visão equivocada: a ideia de que o dinheiro é um “jogo de soma zero”, em que há uma quantidade finita de riqueza e, portanto, os menos favorecidos seriam pobres porque os ricos concentram o capital. Essa narrativa é uma falácia, frequentemente usada por grupos de interesse para manipular a opinião pública e desviar o foco dos verdadeiros problemas.

O Brasil tem um problema de pobreza, não um problema de riqueza concentrada. E pobreza não se resolve confiscando de quem tem mais para supostamente distribuir aos que têm menos. Essa abordagem simplista ignora os fundamentos do crescimento econômico sustentável, e não soluciona o problema.

Em uma economia de mercado, as pessoas são remuneradas conforme sua contribuição. O sistema capitalista, apesar de suas imperfeições, oferece um grau de mobilidade social incomparável: é possível melhorar de vida à medida que se investe em educação, capacitação e produtividade.

A solução está no desenvolvimento econômico, impulsionado pelo livre mercado e pelos investimentos da iniciativa privada. Isso exige a redução gradual e significativa da estrutura estatal, que custa caro, entrega pouco e aloca mal os recursos arrecadados. Com isso, é possível promover um alívio tributário progressivo, à medida que a população se educa, aprende uma profissão e passa a produzir, gerando renda e contribuindo para a sociedade.

Quando uma pessoa produz, ela enriquece ao agregar valor, sem empobrecer ninguém. O PIB cresce sem que seja necessário jogar um “Rouba Montes”. A acumulação de grandes volumes de capital não ocorre de forma instantânea, mas sim como resultado de um processo longo e contínuo de investimento, inovação e geração de valor.

Ao investir em sua formação ou na criação de um negócio, o indivíduo desenvolve produtos e serviços, gera empregos e atende às demandas do mercado. Isso alimenta um círculo virtuoso de novos investimentos e crescimento sustentável.

A pergunta “para que alguém precisa de bilhões de reais?” ignora o papel do capital na construção de soluções de grande escala para a sociedade. Pessoas não começam nesse patamar, é um processo de acumulação de capital que exige propósito, propriedade privada, pesquisa, inovação, capacitação de pessoas e impacto social crescente.

Sem estudo, desenvolvimento, trabalho e produção, o país não avança. Mas com liberdade econômica, educação e incentivo ao empreendedorismo, é possível construir uma sociedade mais próspera e justa para todos, sem deteriorar a situação de ninguém.

Gestão de Portfólios em M&A: Valor Gerado com IA


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Tecnologia Aplicada em M&A

Gestão de Portfólios em M&A: Valor Gerado com IA.

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

 

Aplicação da IA na Gestão de Portfólios

A incorporação da inteligência artificial na gestão de portfólios oferece uma abordagem mais dinâmica e preditiva, transformando a maneira como as empresas planejam e executam transações corporativas. Neste contexto, a IA ganha espaço como uma ferramenta para otimizar a alocação de recursos e avaliar o desempenho, subsidiando decisões cada vez mais orientadas por dados.

Aplicar IA ao processo o torna mais eficiente. Acompanhar o desempenho das empresas ou ativos que compõem a carteira de investimentos, antecipar riscos e identificar o momento mais oportuno para movimentações estratégicas — tanto de investimento quanto de desinvestimento — possibilita acelerar resultados e elevar a qualidade das decisões, favorecendo a capturar valor de forma mais rápida e com menor exposição a riscos.

Entre suas principais aplicações da IA na gestão de portfólios, quatro áreas contribuem diretamente para a geração de valor e a tomada de decisão estratégica: (i) avaliação dinâmica de desempenho, (ii) Simulações de cenários e modelagem preditiva, (iii) Identificação de oportunidades de crescimento, e (iv) Otimização da alocação de capital.

A utilização de sistemas inteligentes para o monitoramento contínuo dos indicadores de desempenho (Key Performance Indicators – KPIs) das unidades de negócio sustenta decisões relacionadas à expansão, ao desinvestimento ou à reestruturação, assegurando maior capacidade de resposta às mudanças nos ambientes interno e externo.

Ferramentas de IA realizam simulações avançadas que incorporam a dinâmica de múltiplas variáveis — econômicas, regulatórias e competitivas —, oferecendo suporte a decisões mais bem fundamentadas em cenários de alta incerteza, além de antecipar riscos e permitir o teste de estratégias antes de sua implementação.

Outra aplicação da inteligência artificial está na identificação de oportunidades de crescimento. Ao analisar dados sobre tendências de mercado, comportamento dos consumidores e movimentações da concorrência, a IA revela possibilidades de investimento, parcerias estratégicas e aquisições. Essa leitura avançada do ambiente competitivo potencializa a capacidade de inovação e impulsiona a expansão dos negócios.

Os algoritmos avançados da IA contribuem para uma distribuição mais eficiente dos recursos, equilibrando risco e retorno entre diferentes ativos e empresas do portfólio. Orientada pela otimização da alocação de capital, a IA contribui para a definição de posições de investimento visando sustentar o crescimento e a geração de valor ao longo do tempo.

Benefícios da Adoção da IA em Transações Corporativas

A adoção de ferramentas de inteligência artificial em transações de fusões e aquisições não se limita a ganho de eficiência, mas proporcionam benefícios adicionais que podem redefinir o sucesso de uma transação.

Com a automação de tarefas devido a aplicação de IA, processos que antes levavam meses agora podem ser concluídos em questão de semanas, reduzindo a dependência de grandes equipes, diminuindo custos transacionais, e permitindo que empresas capitalizem oportunidades com maior rapidez.

O ganho em termos de escalabilidade é outro benefício com potencial transformador em operações de M&A. Empresas podem avaliar de forma mais efetiva múltiplos alvos simultaneamente, ampliando seu alcance estratégico. Além do ganho de velocidade e agilidade, redução de custos, e escalabilidade, a IA também minimiza a margem de erro humano no processo, com maior precisão analítica e análises mais robustas e confiáveis.

Outra aplicação relevante dos sistemas inteligentes está na detecção de riscos regulatórios e de compliance. O monitoramento contínuo de legislações locais e internacionais, aliado à antecipação de barreiras regulatórias ou riscos de antitruste, reduz significativamente a probabilidade de sanções e de atrasos na aprovação de transações.

Desafios e Considerações Éticas sobra a Aplicação de IA em M&A

Apesar dos significativos avanços da inteligência artificial, a integração da IA em processos de M&A traz desafios que não devem ser ignorados. Uma das questões mais debatidas é a governança algorítmica. É essencial assegurar que os modelos sejam transparentes, auditáveis e livres de vieses.

A adoção da IA, de forma geral, deve estar acompanhada de mecanismos robustos de governança. Embora a tecnologia promova eficiência e agilize o processo de M&A como um todo, ela também exige transparência, garantias e rastreabilidade, de modo que as decisões sejam tomadas com pleno conhecimento das premissas e possam ser auditadas sempre que necessário.

Garantir a segurança dos dados e das informações das partes envolvidas em uma operação é outro desafio crucial que não pode ser subestimado. O tratamento de informações sensíveis e documentos confidenciais exige protocolos rigorosos de proteção e conformidade regulatória. A utilização de ferramentas seguras e devidamente homologadas é essencial para evitar a exposição de dados corporativos, prevenir vazamentos de informações estratégicas e preservar, inclusive, a própria confidencialidade das negociações em andamento.

O fator humano permanece como um desafio relevante para a adoção mais ampla da inteligência artificial. A formação de profissionais capacitados para desenvolver, implementar e aplicar essas tecnologias é essencial para ampliar seu uso. A escassez de talentos com fluência em IA ainda limita sua aplicação nas empresas, sendo a ausência de competências específicas um dos principais entraves aos investimentos na área.

O Novo Papel da Liderança em Fusões e Aquisições com IA

Se o M&A sempre foi uma arte, a IA está adicionando uma nova paleta de cores, e os líderes que sabem pintar com ela estão assumindo o protagonismo nesta nova era.

Na nova era agêntica, os profissionais envolvidos em transações de M&A precisam desenvolver competências que vão além da análise financeira. A liderança aumentada por IA exige o desenvolvimento da capacidade de definir adequadamente problemas complexos e fluência tecnológica para estruturar as melhores soluções. Neste sentido, o papel do assessor de M&A está se transformando: de executor técnico para orquestrador de agentes inteligentes, fazendo uso de ferramentas tecnológicas poderosas de IA para suportar decisões estratégicas.

A inteligência artificial está se tornando uma realidade concreta no universo de M&A. Ela não substitui o julgamento humano, mas o amplifica. Ao automatizar tarefas repetitivas, oferecer insights preditivos e acelerar processos, a IA permite que os profissionais de M&A se concentrem no que realmente importa: criar valor sustentável, alinhar culturas e construir estratégias vencedoras, permitindo maior eficiência e produtividade.

Empresas que adotam uma abordagem proativa, investindo em governança, capacitação e integração tecnológica, estão se posicionando como “Frontier Firms”, termo cunhado pela Microsoft para definir organizações que operam com IA como uma camada avançada para decisões estratégicas. À medida que avançamos, as empresas que souberem combinar inteligência humana com inteligência artificial estarão mais bem posicionadas para navegar a complexidade das transações corporativas e capturar oportunidades transformadoras.

Modelagem, Negociação e Integração: O Tripé da IA em Fusões e Aquisições


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Tecnologia Aplicada em M&A.

Modelagem, Negociação e Integração: O Tripé da IA em Fusões e Aquisições.

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

 

Modelagem Financeira e Precificação por IA

Modelos preditivos baseados em IA tem a capacidade de simular múltiplos cenários de valuation, considerando variáveis macroeconômicas, tendências setoriais e dados históricos. A análise econômico-financeira envolve um planejamento criterioso sobre a geração de valor da empresa, seu potencial de crescimento e as tendências de mercado. Além disso, concentra-se no fator temporal e em variáveis que assegurem a perenidade do negócio.

A incerteza é uma característica inerente às projeções, e o valuation não deve ser representado por um único número, mas sim por uma distribuição de valores — um intervalo confiável que reflita a ponderação dos diferentes cenários possíveis.

As ferramentas de inteligência artificial permitem a simulação de cenários dinâmicos por meio de projeções confiáveis, fundamentadas em modelos estatísticos, para embasar decisões estratégicas e orientar investimentos. Esses sistemas ajustam automaticamente as premissas financeiras com base na análise histórica, incorporando dados atualizados e tendências identificadas para gerar projeções avançadas e precisas de cada variável. O valuation é constantemente refinado por meio de retroalimentação dos dados, garantindo maior acurácia e aderência à realidade.

Dentre as principais aplicações em M&A, as plataformas que utilizam inteligência artificial permitem acessar e agregar informações provenientes de diversas fontes públicas e bancos de dados privados, com base em instruções sobre a empresa analisada e seu mercado de atuação.

Essas plataformas são capazes de identificar e disponibilizar documentos relevantes, consolidar dados setoriais, múltiplos de transações comparáveis recentes, automatizar uma variedade de cálculos e indicadores financeiros, além de apresentar comparações detalhadas em relação aos pares de mercado, concorrentes listados em bolsa e médias setoriais.

O resultado dessa análise comparativa, potencializada por inteligência artificial, é um valuation relativo bem fundamentado, estimado com base em múltiplos e parâmetros de mercado. A IA permite a geração de cenários dinâmicos, oferecendo maior profundidade e flexibilidade às projeções, garantindo maior precisão na precificação.

Negociação Assistida

Outra contribuição relevante dos agentes de inteligência artificial é a sugestão de estruturas de negociação otimizadas, fundamentadas em benchmarks de mercado e análises de risco da operação. Essa abordagem reduz a assimetria de informação entre as partes envolvidas e representa um avanço significativo na sofisticação das transações de M&A.

A inteligência artificial proporciona maior agilidade na tomada de decisão ao analisar, com eficiência, grandes volumes de dados históricos de transações — como múltiplos de valuation, estruturas de pagamento, cláusulas contratuais e mecanismos de earn-out, entre outros.

A tecnologia também é capaz de identificar rapidamente o perfil de risco da empresa por meio da análise de indicadores financeiros, exposição regulatória, litígios pendentes, concentração de receita e dependência de fornecedores ou clientes estratégicos.

Com base nessa análise, a inteligência artificial é capaz de mapear o comportamento e os padrões de negociação das partes envolvidas em transações similares, sugerindo — conforme os precedentes observados — estratégias, termos e condições mais adequados.

Entre essas recomendações, destacam-se cláusulas específicas para ajustes de preço, formas de pagamento mais indicadas, mecanismos de garantia e disposições de indenização, alinhadas ao perfil da operação e às práticas de mercado.

Ao longo da negociação entre as partes, a inteligência artificial contribui para uma precificação mais precisa da operação, por meio da simulação de diferentes cenários e da análise de seus respectivos impactos.

A tecnologia indica, por exemplo, como variações no EBITDA ou na taxa de crescimento influenciam o valuation final, além de evidenciar os efeitos de diferentes estruturas de earn-out sobre o retorno esperado, oferecendo maior embasamento às decisões estratégicas.

Impactos da Inteligência Artificial na Integração Pós-Fusão

A inteligência artificial tem se consolidado como um catalisador da transformação corporativa, especialmente na fase de integração pós-fusão (PMI). Mais do que uma ferramenta tecnológica, ela se tornou uma alavanca estratégica para decisões empresariais, impulsionando ganhos expressivos em eficiência operacional, precisão analítica e tomada de decisão orientada por dados. Ao permitir uma leitura mais ágil e profunda dos processos de integração, a IA eleva significativamente as chances de capturar sinergias de forma estruturada e acelerada.

O PMI representa uma etapa decisiva para o êxito de operações de fusões e aquisições. Mais do que a convergência de sistemas e processos, essa fase exige a validação da compatibilidade cultural entre as organizações, a preservação de talentos e o alinhamento estratégico dos objetivos e diretrizes das partes envolvidas.

Entre os principais impactos da IA na forma como as empresas conduzem a integração pós-fusão, destacam-se os processos de planejamento e a integração de sistemas. A gestão de talentos e a cultura das empresas figuram como dois pilares críticos para o sucesso do processo de mudança, e devem ser cuidadosamente gerenciados antes, durante e após a transação.

Um dos maiores desafios neste tipo de projeto é assegurar que as empresas operem sob uma mesma cultura organizacional harmônica. As soluções de IA contribuem para uma maior compreensão dos recursos humanos das empresas — tanto isoladamente quanto combinadas. Ferramentas de análise de pessoas (people analytics) ajudam a prever riscos de turnover e a mapear talentos-chave. A IA permite o detalhamento de planos de cargos e salários, o mapeamento de convergências e potenciais conflitos culturais, além da identificação de características e comportamentos de colaboradores e líderes, formais e informais.

Com base nestes dados, é possível implementar ações de retenção direcionadas, preservando o capital humano essencial e garantindo a continuidade das competências. A IA viabiliza a formulação de planos de comunicação, políticas corporativas e estratégias de engajamento personalizadas, promovendo uma integração mais fluida e sustentável.

O planejamento antecipado do processo de integração — idealmente iniciado ainda na fase de definição dos critérios de investimento e aprofundado ao longo da due diligence — é fundamental para garantir maior previsibilidade e assertividade na formulação das estratégias de integração. Em projetos dessa natureza, a IA tem sido aplicada na análise de combinações das estruturas e estimativa de sinergias. Essa avaliação investiga o potencial de captura de sinergias em três principais esferas: (i) Administrativa, (ii) Operacional e (iii) Comercial, com uma abordagem mais precisa e orientada por dados para a captura de valor pós-transação.

A captura de sinergias comerciais em transações de M&A pode ser significativamente ampliada com o uso de IA na análise integrada de bases de dados financeiras, operacionais e de mercado. Por meio dessa abordagem, a IA identifica áreas com elevado potencial de geração de valor — como sobreposição de clientes, canais de distribuição complementares e sinergias entre capacidades operacionais — oferecendo subsídios para decisões mais assertivas e orientadas por dados.

A adoção de tecnologias de automação de processos acelera o mapeamento, a migração e a integração de sistemas críticos, como ERPs (Enterprise Resource Planning – sistemas integrados de gestão) e CRMs (Customer Relationship Management – gestão do relacionamento com o cliente). Essa abordagem aumenta a eficiência operacional e permite que as empresas alcancem, de forma mais rápida e estruturada, um estado funcional unificado, essencial para a captura de sinergias e a continuidade dos negócios após a fusão.

Com o apoio desses sistemas baseados em IA, é possível ainda monitorar indicadores de desempenho em tempo real, acompanhar o alcance dos objetivos inicialmente traçados e antecipar eventuais gargalos operacionais com maior precisão. Essa capacidade analítica proporciona uma compreensão aprofundada do negócio, gera novas perspectivas a partir da releitura de dados originais e alimenta ajustes proativos. O resultado é uma gestão ágil e orientada por dados, que contribui diretamente para a mitigação de riscos e acelera a captura de sinergias.

Ao incorporar essas aplicações ao processo, as empresas não apenas ganham velocidade na execução, como também aprimoram significativamente a qualidade das decisões estratégicas — ampliando as chances de sucesso na integração e viabilizando a extração efetiva de valor nas transações.

Inteligência Artificial em M&A: A Nova Fronteira da Eficiência Estratégica


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Tecnologia Aplicada em M&A.

Inteligência Artificial em M&A: A Nova Fronteira da Eficiência Estratégica.

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

O uso da inteligência artificial (IA) nos negócios tem como objetivo central gerar valor, além de gerar conteúdo, análises ou automatizar tarefas. Nesse novo contexto tecnológico, o ser humano permanece como protagonista, conferindo credibilidade ao processo e às ferramentas de IA e fortalecendo as relações com as partes interessadas.

Para compreender a inovação, é fundamental elucidar as principais características desta tecnologia e o seu processo evolutivo. A IA Generativa aprende padrões para criar conteúdo e resultados originais — de relatórios e análises a protótipos de produtos — superando sua predecessora, a IA Preditiva, que se limitava a estimar cenários, sem produzir material novo. Em 2025 vivenciamos a terceira onda da inteligência artificial, a IA Agêntica.

A IA Agêntica se caracteriza pela autonomia na execução de tarefas e na tomada de decisões sem supervisão contínua, pelo comportamento orientado a objetivos que podem evoluir com o tempo, pela adaptabilidade para ajustar ações conforme mudanças no ambiente e novas informações, pelo processamento de grandes volumes de dados para escolher as alternativas mais eficazes e pela interoperabilidade entre múltiplas fontes de dados, ferramentas e plataformas, garantindo operações integradas e decisões mais bem-informadas.

Na era agêntica, o cenário de fusões e aquisições (Mergers and Acquisitions – M&A) encontra-se em meio a transformações profundas. O que até então era um processo intensivo em capital humano e análise manual, agora é impulsionado por tecnologias e ferramentas capazes de redefinir a forma como as empresas identificam e avaliam oportunidades de negócios, conduzem diligências e integram operações. A IA não é apenas uma ferramenta de apoio — ela está se tornando uma camada de inteligência adicional, um agente estratégico central nas decisões de M&A, cada vez mais superintuitivos e com capacidade de prever demandas com alta precisão.

Com a chegada da IA Generativa (GenAI) e dos agentes autônomos, um novo paradigma se consolida: a inteligência artificial como motor estratégico das operações de M&A. Segundo relatório da Bain & Company, apenas 16% das organizações utilizam GenAI nesse contexto atualmente, mas até 2027 mais da metade deverá adotar a tecnologia para acelerar e otimizar seus processos, devendo alcançar 80% em três anos.

Historicamente, operações de M&A demandam um suporte robusto de assessores especializados, que reúnem competências negociais, profundo domínio em finanças corporativas, análise minuciosa das estruturas e implicações jurídicas envolvidas, além de experiência operacional e uma visão estratégica bem definida para o mercado de atuação.

Esses processos são compostos por múltiplas etapas interdependentes: desde uma preparação cuidadosa e uma prospecção criteriosa, passando pela análise de sinergias potenciais, condução da due diligence (DD), negociações complexas com termos e condições específicas, estruturação financeira e societária sob medida da transação, até a integração pós-fusão (PMI). Cada fase exige tempo, precisão e, acima de tudo, capacidade de processar e interpretar grandes volumes de dados com agilidade e assertividade.

Os assessores de M&A envolvidos em transações corporativas, sejam eles consultores de negócios, advogados, analistas financeiros, auditores ou gestores de integração, estão percebendo suas funções evoluírem com o apoio de tecnologias de IA. Inúmeras ferramentas específicas para fusões e aquisições, desenvolvidas com base em IA, estão disponíveis no mercado e oferecem uma variedade de funcionalidades que garantem aos assessores ganhos de produtividade impressionantes.

 

Tecnologia Aplicada à Execução de Transações Corporativas

A aplicação da inteligência artificial em plataformas de análise especializada tem revolucionado as etapas de identificação e avaliação de oportunidades de negócio. Desde a triagem detalhada de possíveis alvos de aquisição até a análise preditiva de riscos, passando pela automação de tarefas jurídicas e financeiras, essas soluções vêm alavancando a eficiência e aprimorando a qualidade e a precisão das decisões estratégicas do processo de M&A. Com capacidade de analisar milhares de informações em tempo real, cruzando dados públicos e privados, essas plataformas revelam oportunidades inexploradas e potenciais transações com base em critérios altamente específicos.

Merecem destaque algumas funcionalidades mais relevantes destas plataformas, como os recursos de sourcing & screening, voltados à identificação de investidores, compradores e alvos estratégicos para aquisição. Através de filtros avançados — como segmento de atuação, localização geográfica, porte da entidade, tipo de operação e indicadores financeiros — essas plataformas entregam resultados precisos em questão de segundos, substituindo semanas de trabalho manual por insights instantâneos e acionáveis. Além disso, geram relatórios comparativos robustos, com análises detalhadas que evidenciam questões fundamentais para embasar decisões de alto impacto e acelerar movimentos estratégicos com confiança.

Um dos principais usos da tecnologia e inteligência artificial em operações de M&A está nas plataformas digitais que conectam investidores, compradores e vendedores em escala global. A maioria dessas soluções é projetada para apoiar diretamente os assessores profissionais na execução de seus mandatos, oferecendo ferramentas que ampliam a eficiência e a precisão das análises.

Embora possam ser comparadas, em termos gerais, a marketplaces ou classificados empresariais digitais, essas plataformas se distinguem pelo alto grau de sofisticação e pelos recursos avançados de inteligência artificial, capazes de identificar os pares mais adequados para cada transação listada — com base em critérios estratégicos, financeiros e operacionais.

Um estágio crítico da operação que vem sendo transformado pelo uso de tecnologia é a due diligence. Tanto a diligência conduzida pelo comprador quanto a vendor due diligence — realizada previamente pelo vendedor — têm se beneficiado significativamente da aplicação de inteligência artificial.

Entre as ferramentas digitais mais utilizadas neste processo está o Virtual Data Room (VDR), ou Sala de Dados Virtual. Essa solução tradicional evoluiu com o avanço de tecnologias de segurança, automação e análise inteligente, tornando-se ainda mais eficiente. Os VDRs oferecem um ambiente digital seguro para o compartilhamento de informações sensíveis e documentos confidenciais relacionados à transação, viabilizando uma diligência mais ágil, precisa e confiável.

Por meio de algoritmos sofisticados, essas plataformas de VDR extraem insights relevantes de documentos jurídicos, operacionais e financeiros, reduzindo significativamente o tempo necessário para concluir a diligência e aumentando a confiabilidade das análises.

Um dos recursos mais avançados dos VDRs modernos — aprimorados por inteligência artificial — é a automatização do processo de perguntas e respostas (Q&A). A IA embarcada não apenas sintetiza dúvidas recorrentes e responde diretamente a questionamentos sobre os documentos disponibilizados, como também revisa contratos, analisa demonstrativos financeiros, registros fiscais e documentos regulatórios em questão de minutos. Com isso, é capaz de identificar cláusulas de risco, inconsistências e oportunidades ocultas com elevada precisão, otimizando a tomada de decisão e agregando valor ao processo de diligência.

Algumas dessas soluções digitais especializadas oferecem funcionalidades que extrapolam os recursos tradicionais de um VDR, viabilizando uma gestão integrada de projetos de M&A. Ao incorporar ferramentas de IA para automatizar e acompanhar relacionamentos (CRM), monitorar oportunidades em andamento (pipeline), gerenciar cronogramas e até mesmo gerar automaticamente rascunhos dos materiais de divulgação — como teasers e Confidential Information Memorandums (CIMs) — essas plataformas transformam documentos e dados disponíveis em recursos estratégicos.

Na nova era agêntica, os profissionais envolvidos em transações de M&A precisam desenvolver competências que vão além da análise financeira. A liderança aumentada por IA exige o desenvolvimento da capacidade de definir adequadamente problemas complexos e fluência tecnológica para estruturar as melhores soluções. Neste sentido, o papel do assessor de M&A está se transformando: de executor técnico para orquestrador de agentes inteligentes, fazendo uso de ferramentas tecnológicas poderosas de IA para suportar decisões estratégicas.

Uma década de M&A no Brasil


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Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

O mercado brasileiro de M&A passou por um ciclo completo na última década: desaceleração no meio da década de 2010, retomada a partir de 2017, pico histórico de transações em 2021 e normalização nos dois anos seguintes, com uma recomposição parcial em valor em 2024.

Pelos dados da TTR Data, o volume saiu da casa de ~1.000 transações anuais, entre 2014 e 2019, para um recorde em 2021 (2.560 deals), recuou em 2022 (2.119) e manteve patamar semelhante em 2023 (2.123), antes de cair para 1.674 em 2024. Em valores, o agregado acompanhou essa curva, com auge em 2021 (~R$ 476 bi), arrefecimento em 2022 (~R$ 325 bi), nova queda em 2023 (~R$ 217 bi) e recuperação em 2024 (~R$ 260 bi), sempre considerando apenas operações com valores divulgados.

A evolução setorial do M&A no Brasil entre 2014 e 2024 evidencia a digitalização como principal motor das operações. Tecnologia — englobando internet, software e serviços de TI — deixou de ser coadjuvante para assumir a liderança entre 2020 e 2022, impulsionada por e-commerce, meios de pagamento, SaaS, soluções de dados e Inteligência Artificial (AI).

O setor de Saúde manteve crescimento constante, com consolidação hospitalar e expansão de laboratórios, operadoras e healthtechs. Energia e Infraestrutura alternaram picos ligados a privatizações, concessões e reorganizações de portfólios, ganhando espaço em 2023 e 2024 com o aumento do interesse por ativos defensivos.

Serviços Financeiros também se destacaram, reunindo bancos, corretoras, meios de pagamento e fintechs, combinando consolidação tradicional e disrupção tecnológica. Imobiliário & Construção permaneceu ativo em operações com incorporadoras, shoppings, ativos logísticos e empreendimentos comerciais, acompanhando ciclos de crédito e investimento. Já Varejo & Bens de Consumo — de redes de lojas a alimentos, bebidas e moda — manteve relevância, refletindo movimentos de expansão, reposicionamento e diversificação de portfólio.

Os compradores estratégicos dominaram as transações ao longo da última década, ampliando a sua fatia nos anos recentes, à medida em que fundos de Private Equity se tornaram cada vez mais seletivos com juros altos e custo de capital pressionado seu modelo de negócio. O capital doméstico prevaleceu ao longo deste período; fluxos cross-border ou transfronteiriços mostraram sensibilidade ao câmbio, risco-país e aos ciclos globais de liquidez. Geograficamente, o estado de São Paulo concentrou a maior parte das transações observadas, seguido por polos industriais e de serviços no Sul e Sudeste.

Ao longo da década, diferentes fatores moldaram os ciclos de M&A no Brasil. A combinação de juros relativamente mais baixos e uma forte liquidez global foi determinante para o recorde observado em 2021, enquanto o subsequente aperto monetário reduziu o apetite por risco, comprimindo tanto o volume quanto o porte médio das operações.

O câmbio também exerceu papel relevante: períodos de desvalorização do real, aliados à compressão de múltiplos, abriram janelas de oportunidade para compradores estratégicos e investidores de longo prazo, que aproveitaram valuations mais atrativos.

No campo microeconômico e regulatório, agendas de concessões, privatizações e novos marcos setoriais — especialmente em energia, saneamento e saúde — impulsionaram megadeals e fomentaram polos regionais de transações.

A transformação digital também se consolidou como um vetor transversal de produtividade e crescimento. A digitalização de processos, a adoção de inteligência artificial e a busca por eficiência operacional passaram a sustentar teses de investimento em praticamente todos os segmentos econômicos, reforçando o protagonismo da tecnologia no mercado de M&A.

A última década de M&A no Brasil pode ser categorizada em oito fases, cada qual marcada por determinadas condições macroeconômicas e setoriais, com transações emblemáticas que ilustram seu caráter específico.

2014–2015
Sob forte desaceleração econômica e instabilidade política — refletidas no déficit fiscal crescente e na taxa básica de juros da economia (Selic) acima de 11% ao ano — o mercado manteve cerca de 1.000 transações anuais. Compradores estratégicos aproveitaram valuations pressionados em setores consolidados, sobretudo energia, telecomunicações e serviços financeiros. Em abril de 2014, a aquisição da GVT pela Telefónica, por R$ 22,5 bilhões, exemplificou essa dinâmica oportunística.

2016
Em meio ao início do governo Temer e à perspectiva de reformas fiscais e trabalhistas, o ambiente recuperou gradualmente o otimismo. A Selic iniciou uma trajetória descendente e o crédito corporativo expandiu-se, impulsionando consolidações nos segmentos de saúde, tecnologia e infraestrutura. A compra de 66% do capital da XP Investimentos pelo Itaú Unibanco, por R$ 3,6 bilhões, impulsionou a busca por plataformas de serviços financeiros integrados.

2017–2019
Com a taxa de juros recuando à casa dos 6% e expectativa de inflação ancorada, o Brasil voltou a atrair capital estrangeiro. Entre 2017 e 2019, o volume superou 1.200 operações por ano, com destaque para os setores do varejo, serviços financeiros e tecnologia. As privatizações de aeroportos e rodovias reforçaram o apetite internacional por ativos de infraestrutura no período. Em 2017, a JBS reforçou a sua presença no setor de laticínios ao adquirir a Vigor por R$ 5,7 bilhões.

2020
As medidas impostas pelo governo, sob o argumento de contenção da crise sanitária global, levaram a uma queda abrupta nos negócios em geral, mas no segundo semestre a economia começou a reagir, após sucessivos cortes na Selic, que atingiu o patamar recorde de baixa e 2%, junto com pacotes de estímulo à economia. As transações no mercado de tecnologia e de saúde ganharam um impulso extraordinário para fazer frente às necessidades do período. A Magazine Luiza, por exemplo, adquiriu a Netshoes, por R$ 115 milhões, acelerando sua estratégia omnichannel.

2021
Em um ambiente de alta liquidez global e baixo custo de capital, com juros em patamares historicamente baixos, o país viveu o ano recorde de M&A: 2.560 deals que somaram cerca de R$ 476 bilhões em valor. A Brookfield Asset Management comprou a AES Tietê por R$ 5,1 bilhões, evidenciando o fluxo de grandes investidores em energia e infraestrutura, setores conhecidos como de capital intensivo.

2022
Com inflação acima de 10% e Selic subindo a 13,75%, o apetite por risco arrefeceu, o que refletiu no movimento de M&A: 2.119 transações e R$ 325 bilhões envolvidos. Ainda assim, operações de grande porte marcaram o ano, como a compra dos ativos móveis da Oi pela TIM, por R$ 16,5 bilhões, reforçando consolidação no setor de telecom.

2023
Com a manutenção da Selic em patamar elevado, e incertezas políticas em razão da mudança de governo, o volume estabilizou-se em 2.123 operações e os valores tiveram queda de 33%, para R$ 217 bilhões. Concessões e privatizações em rodovias e saneamento ganharam destaque em 2023. A CCR concluiu a compra da concessão das rodovias BR-163/262, ampliando seu portfólio de infraestrutura.

2024
O volume de negócios recuou 21% (1.674 transações), embora o valor agregado tenha subiu 20% (aprox. R$ 260 bilhões), refletindo uma quantidade menor de transações, mas de alto valor. A Auren adquiriu a AES Brasil por R$ 23 bilhões e o governo paulista vendeu 15% do capital da Sabesp à Equatorial por R$ 11,7 bilhões — operações que ilustram a sustentação do foco no mercado de energia renovável e saneamento.

2025
O momento atual indica uma trajetória de recuperação. De acordo com a PwC Brasil, entre janeiro e maio deste ano foram registradas 596 transações, um crescimento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, sinalizando um ambiente mais favorável para M&A, mesmo diante de desafios políticos e macroeconômicos persistentes, como fragilidade fiscal, inflação desancorada, juros elevados e volatilidade cambial. A TTR Data aponta uma elevação de 17% no valor agregado no período, refletindo o impacto de transações de grande porte ocorridas nos setores de infraestrutura, energia e consolidações corporativas estratégicas.

A composição setorial das operações até o momento reforça tendências estruturais. Tecnologia respondendo por 33% das transações, impulsionada por soluções digitais, inteligência artificial e serviços em nuvem. Consumo e Varejo (15%) e Automotivo (9%) também se destacaram, refletindo movimentos de consolidação e reposicionamento estratégico. Já Energia e Serviços Públicos corresponderam a 7,5% do total, beneficiados por investimentos em infraestrutura e pela transição para fontes renováveis.

No recorte por perfil de investidor, observa-se, nestes primeiros cinco meses de 2025, a predominância dos compradores estratégicos, responsáveis por cerca de 83% das operações, contra 17% de participação dos fundos de Private Equity, que representavam aproximadamente 20% do volume em 2024. A origem do capital confirma um mercado majoritariamente doméstico: 81% das transações foram conduzidas por empresas brasileiras, enquanto o investimento estrangeiro respondeu por 19%.

A expectativa para 2025 é de manutenção do ritmo de crescimento do volume de transações, com possibilidade de superar os números de 2023, desde que não ocorram choques macroeconômicos relevantes. Valuations atrativos, necessidade de ganho de escala e busca por inovação devem continuar impulsionando operações, especialmente em tecnologia, saúde e energia. Se confirmadas as projeções, 2025 poderá consolidar-se como um ano de retomada para o M&A no Brasil, combinando oportunidades estratégicas com a necessidade de gestão cuidadosa dos riscos.

A década deixa um mercado mais maduro, com pipelines setoriais claros, investidores experientes e maior disciplina de capital. A recomposição do valor agregado em 2024, apesar do menor volume, sugere reabertura para transações maiores em infraestrutura e energia, enquanto tecnologia mantém relevância — ainda que abaixo do pico observado entre 2021–2022. Entrando em 2025, o pano de fundo é de otimismo cauteloso: valuations seguem atrativos para estratégicos, e o retorno mais amplo de fundos dependerá de condições de financiamento e previsibilidade macro.

M&A no Brasil: Perspectivas 2025


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M&A no Brasil: Perspectivas 2025.

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) iniciou 2025 em trajetória de recuperação, após um 2024 marcado pela retração no volume de operações. De acordo com a PwC Brasil, entre janeiro e maio deste ano foram registradas 596 transações, um crescimento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho sinaliza um ambiente mais favorável para M&A, mesmo diante de desafios políticos e macroeconômicos persistentes, como fragilidade fiscal, inflação desancorada, juros elevados e volatilidade cambial.

Do ponto de vista financeiro, a TTR Data aponta que as operações anunciadas no Brasil entre janeiro e maio de 2025 somaram aproximadamente US$ 35,7 bilhões (cerca de R$ 178 bilhões pela taxa média de câmbio do período), um aumento de 17% no valor agregado em relação aos mesmos meses de 2024. Esse crescimento no montante, aliado à alta no volume, reflete o impacto de transações de grande porte ocorridas nos setores de infraestrutura, energia e consolidações corporativas estratégicas.

A composição setorial das operações reforça tendências estruturais. Tecnologia manteve a liderança, respondendo por 33% das transações, impulsionada por soluções digitais, inteligência artificial e serviços em nuvem. Consumo e Varejo (15%) e Automotivo (9%) também se destacaram, refletindo movimentos de consolidação e reposicionamento estratégico. Já Energia e Serviços Públicos corresponderam a 7,5% do total, beneficiados por investimentos em infraestrutura e pela transição para fontes renováveis.

No recorte por perfil de investidor, observa-se a predominância dos compradores estratégicos, responsáveis por cerca de 83% das operações, contra 17% de participação dos fundos de Private Equity. Em 2024, os fundos representavam aproximadamente 20% do volume, evidenciando retração relativa. Essa mudança decorre de maior seletividade por parte dos investidores financeiros, que têm priorizado setores com geração de caixa previsível, como infraestrutura, energia e saúde.

A origem do capital confirma um mercado majoritariamente doméstico: 81% das transações foram conduzidas por empresas brasileiras, enquanto o investimento estrangeiro respondeu por 19%.

A expectativa para o fechamento de 2025 é de manutenção do ritmo de crescimento no volume de transações, com possibilidade de superar os números de 2023, desde que não ocorram choques macroeconômicos relevantes. Valuations atrativos, necessidade de ganho de escala e busca por inovação devem continuar impulsionando operações, especialmente em tecnologia, saúde e energia. Se confirmadas as projeções, 2025 poderá consolidar-se como um ano de retomada para o M&A no Brasil, combinando oportunidades estratégicas com a necessidade de gestão cuidadosa dos riscos.

Fontes: PwC Brasil – Relatório de M&A – Jan–Mai 2025; TTR Data – Relatório LATAM Maio 2025.

Compliance: Um Alicerce Estratégico da Valorização Empresarial.


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Compliance: Um Alicerce Estratégico da Valorização Empresarial.

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

Em um mercado cada vez mais competitivo e orientado por critérios de transparência, governança e sustentabilidade, o compliance não representa simplesmente uma obrigação regulatória, mas um diferencial de mercado. Mais do que cumprir normas, trata-se de incorporar disciplina, organização, e credibilidade à gestão — elementos que reduzem o nível de incerteza e elevam a previsibilidade dos resultados, influenciando na valorização do negócio e na atração de capital.

O compliance é um sistema de governança corporativa voltado à conformidade legal e regulatória, que visa assegurar que a empresa atue de acordo com leis, normas externas e suas políticas internas. Além de proporcionar boas práticas na gestão de riscos jurídicos, o compliance tem o potencial de difundir uma cultura ética, fortalecer a reputação institucional e contribuir para a sustentabilidade e perenidade dos negócios.

Empresas com governança clara, relatórios consistentes e gestão eficaz de riscos reputacionais tornam-se mais atrativas para investidores — sejam eles estratégicos ou financeiros. Nesse contexto, o compliance contínuo pode reduzir o custo de capital ao proporcionar maior previsibilidade do fluxo de caixa e maior confiança no desempenho futuro da organização.

O modelo reativo de compliance, baseado em respostas pontuais a eventos isolados, não atende de forma plena as exigências do mercado. Em contraste, o compliance contínuo atua de forma preventiva, fortalecendo a estrutura organizacional e mitigando riscos de forma sistemática. Trata-se de uma abordagem madura e profissional, que mantém a empresa sempre pronta para auditorias, processos de Due Diligence em operações de M&A e negociações com investidores — sem improvisos.

A organização documental, proporcionada por uma estratégia de compliance bem planejada, acelera etapas críticas como a Due Diligence, reduzindo o tempo entre o contato inicial e o fechamento da operação. Além disso, evita contingências fiscais, jurídicas ou trabalhistas que poderiam comprometer a negociação ou desvalorizar o negócio, assegurando uma transação mais ágil e eficiente.

Para empresários que consideram se preparar para atrair investidores, o compliance é uma ferramenta poderosa na construção e preservação da reputação e do legado. Ele reforça a percepção de que a empresa é bem gerida, responsável e preparada para uma transição estável, fatores que influenciam diretamente a percepção de valor sobre o negócio e a probabilidade de sucesso da transação.

A credibilidade nas relações constrói valor empresarial. Investidores e parceiros estratégicos valorizam empresas estáveis, que gerenciam seus riscos de forma consistente e sistemática. O compliance transmite confiança desde o primeiro contato, reforçando a imagem de solidez e profissionalismo. Esta credibilidade tende a se refletir em múltiplos de avaliação mais elevados, proporcionando condições de financiamento mais favoráveis e maior atratividade em processos de M&A, impulsionada pela transparência operacional e previsibilidade dos resultados.

Empresas que mantêm boas práticas de conformidade de forma contínua aumentam significativamente suas chances de atrair capital e concluir com êxito operações estratégicas. Por outro lado, negócios sem estrutura de compliance enfrentaram atrasos, renegociações e até cancelamentos, especialmente em setores regulados, onde a conformidade é um pré-requisito.

A estruturação de processos de governança envolve a identificação falhas críticas e a organização da documentação necessária para garantir conformidade. A implementação de uma estratégia eficaz de compliance exige o envolvimento ativo da liderança na implementação de políticas de gestão de risco e proteção de dados, desenvolvimento de controles financeiros e relatórios consistentes, realização de auditorias internas e revisões legais periódicas, além de supervisão independente.

Principais Riscos e Desafios em Transações de M&A


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Principais Riscos e Desafios em Transações de M&A

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

Empreendedores que chegam despreparados a uma operação de fusões e aquisições perdem oportunidades valiosas. A preparação adequada faz toda a diferença para obter sucesso em processos de M&A ou na captação de recursos para investimentos. Neste artigo, você vai conhecer os principais riscos e desafios que podem comprometer uma transação, além das melhores práticas para mitigá-los.

Preparação Essencial

Antes de iniciar qualquer negociação, é fundamental reunir uma equipe de assessores com experiência comprovada em M&A e operações de dívida. Essa etapa envolve:

• Selecionar consultores jurídicos, financeiros e tributários alinhados ao porte e ao setor da sua empresa
• Organizar informações operacionais e financeiras em um Data Room Virtual (VDR);
• Definir estratégia, estrutura societária e principais termos jurídicos;
• Desenvolver estudos preliminares, como uma Vendor Due Diligence, para mapear riscos e valores;

Investir em recursos especializados e em processos bem estruturados garante respostas ágeis e seguras ao longo de toda a transação.

Principais Riscos em Transações de M&A

1. Avaliação incorreta da empresa
Uma valuation mal calibrada pode supervalorizar ou subvalorizar seu negócio, levando a negociações frustradas ou prejuízos significativos.

2. Due diligence insuficiente
Falhas na análise de ativos, passivos, contratos ou compliance regulatório deixam passivos ocultos se transformarem em surpresas indesejadas.

3. Choque cultural
Diferenças de valores e estilo de gestão abalam a moral da equipe e podem reduzir a produtividade após a união das empresas.

4. Integração operacional falha
Processos e sistemas incompatíveis geram atrasos, custos extras e atrito entre equipes.

5. Perda de clientes e fornecedores estratégicos
Insegurança no mercado pode levar parceiros-chave a buscar alternativas, afetando receitas e negociações.

6. Barreiras regulatórias e legais
Restrições antitruste, exigências de órgãos reguladores ou cláusulas contratuais podem bloquear ou estender o prazo de fechamento.

7. Financiamento inadequado
Condições de crédito desfavoráveis ou dependência excessiva de capitais externos colocam a viabilidade do negócio em risco.

8. Expectativas desalinhadas entre as partes
Divergência sobre valuation, metas de crescimento ou papéis societários pós-negociação cria impasses e disputa de interesses.

9. Falta de governança e compliance
Ausência de processos claros de governança deixa decisões críticas vulneráveis a falhas de controle.

10. Incapacidade de capturar sinergias
Mesmo após o fechamento, a má execução da integração impede que os ganhos previstos se materializem.

Documentos e Ferramentas-Chave

Para conduzir o processo com eficiência e transparência, é recomendável produzir:

Teaser: apresentação resumida para atrair investidores qualificados;
Confidential Information Memorandum (CIM): documento detalhado com informações estratégicas;
Process Letter: instruções e cronograma para interessados na transação;
Valuation: avaliação econômico-financeira que fundamenta as negociações;
Data Room Virtual (VDR) com recursos de inteligência artificial (IA) para Due Diligence (DD) organizada e ágil;

Cada material deve ser elaborado com foco na clareza das informações, qualidade visual e segurança de acesso.

Conclusão

O verdadeiro sucesso em M&A depende de preparação rigorosa, governança sólida e integração pós-fusão (Post-Merger Integration – PMI) bem conduzida. Um planejamento detalhado, aliado a uma equipe especializada, reduz os principais riscos e maximiza as sinergias que justificam toda operação. Empreendedores que dominam esses aspectos garantem maior controle sobre o crescimento e o valor de suas empresas.

Valuation – Quanto vale o negócio?


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Razões para o M&A
Valuation – Quanto vale o negócio?

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

Valor é um conceito subjetivo, que carrega em si uma função de utilidade. Uma empresa pode ter um valor percebido diferente por cada possível interessado em investir em seu negócio, a depender de quem está avaliando a oportunidade de investimento. O preço é o valor efetivamente pago pelo comprador e aceito pelo vendedor, a relação de troca efetiva.

Em uma economia pós-industrial, baseada no conhecimento e uso compartilhado dos fatores de produção, a abordagem moderna indica que o valor patrimonial, referente ao valor dos seus ativos (máquinas, imóveis etc.) pode ser irrelevante para estimar o valor econômico de uma determinada empresa ou bem, a depender do caso. A capacidade da empresa de criar valor a partir dos fatores de produção disponíveis, gerando fluxo de caixa em excesso aos compromissos assumidos, é o que realmente interessa ao avaliarmos o potencial de retorno de um investimento.

O Valuation é uma técnica de avaliação econômico-financeira e consiste em um método amplamente aceito pelo mercado de capitais para se estimar o valor de um negócio. Em operações de fusões e aquisições, o valuation serve de base para uma discussão objetiva das premissas sobre a perspectiva do negócio, e como tais expectativas traduzem-se no valor da empresa, que não consiste simplesmente em um único número específico, mas em um intervalor de valor atribuído à empresa, embora o resultado da análise apresente como mais provável um valor esperado específico.

A nossa abordagem, neste contexto, tem como objetivo apresentar os principais conceitos e uma visão prática sobre o processo de M&A e dos fundamentos da avaliação de empresas, não temos a pretensão de aprofundar no conhecimento mais técnico e respectivas fórmulas financeiras, que estão amplamente disponíveis para consulta na internet, com farta bibliografia de obras técnica sobre o assunto.

Os principais métodos de valuation são o (a) Fluxo de Caixa Descontado (DCF), os (b) Múltiplos de Mercado, o (c) Valor Patrimonial, e o (d) Retorno sobre o Investimento, descritos a seguir.

a) Fluxo de Caixa Descontado (Discounted Cash Flow – DCF)

O Fluxo de Caixa Descontado (DCF) é uma análise fundamentalista, suportada por plano de negócios, e composta por duas partes distintas: (i) Valor Presente do Fluxo de Caixa resultante de projeções econômico-financeiras para um determinado período de Projeção Explícita, até alcançar a estabilização de margens e maturação do negócio, e: (ii) Valor Presente do Fluxo de Caixa Terminal do Negócio, a Perpetuidade.

Além da parcela do valor da empresa calculada com base no período de Projeção Explícita, que estima o crescimento anual da empresa até que ela alcance a sua maturidade, deve compor ainda o valor da empresa o Valor Residual, que se estende de forma indefinida após o período de projeção explícita e captura o valor final dos fluxos de caixa, também conhecido como Perpetuidade, utilizando-se a partir de então uma taxa de crescimento estável correspondente à expectativa de crescimento do mercado no qual a empresa atua.

Cabe ressaltar que o DCF é o método de avaliação mais aceito pelo mercado, considerando-se a qualidade e confiabilidade das premissas adotadas para as projeções. O resultado da avaliação reflete da melhor forma possível o valor intrínseco da companhia. É um método confiável por contemplar nas projeções características específicas da empresa, refletindo estimativas em relação ao desempenho financeiro esperado para a empresa. Ele possibilita a geração de cenários complementares, variando premissas chave como crescimento, margens e investimentos.

O método do DCF está sujeito a subjetividades, principalmente na definição das premissas, como taxas anuais de crescimento, margens e variáveis macroeconômicas, mas é preciso compreender que as incertezas são inerentes a qualquer projeção, sensíveis a considerações subjetivas, e, portanto, é necessário identificar corretamente os principais fatores de geração de valor e avaliar adequadamente a sensibilidade do valor da empresa às premissas adotadas, para se definir o intervalo de valor ponderado pelo risco dos cenários se realizarem.

A construção do modelo Econômico-Financeiro permite estimarmos o valor da empresa de forma estruturada, e pode ser utilizado como um instrumento para subsidiar as decisões de investimento, observando-se os impactos que as decisões têm na geração de valor para os acionistas. Um bom modelo de DCF deve refletir as melhores estimativas da administração da companhia quanto ao desempenho operacional e financeiro esperado para o negócio, capturando suas perspectivas sobre o crescimento de longo prazo, bem como estar subsidiado por boas referências e estudos de mercado. Vale lembrar também que o modelo deve considerar a inflação e as necessidades de investimento no horizonte planejado.

Após a conclusão das projeções das demonstrações financeiras da empresa, incluindo a demonstração de resultado do exercício, balanço patrimonial, fluxo de caixa e demonstração de mutação do patrimônio líquido, o fluxo de caixa livre resultante das projeções deve ser descontado a valor presente utilizando-se uma Taxa de Desconto que reflita adequadamente o seu risco.

Calculado pelo Custo Médio Ponderado de Capital (WACC – Weighted Average Cost of Capital), que considera a estrutura de capital da empresa, o Custo do Capital Próprio e o Custo da Dívida. Em finanças utilizamos o modelo de precificação de ativos de capital, ou CAPM (Capital Asset Pricing Model) para determinar o Custo do Capital Próprio, ou seja, a taxa de retorno teórica apropriada para a realização de investimentos eficientes em função da relação entre risco e retorno do ativo, uma vez que os investidores exigem uma remuneração compatível com o risco que pretendem assumir.

b) Múltiplos de Mercado

O método de avaliação por múltiplos de mercado, ou valuation por múltiplos, compreende uma avaliação relativa e consiste em comparar os indicadores da empresa sob análise com os de empresas listadas em bolsa de valores, e na análise de múltiplos relativos a transações comparáveis recentes ocorridas no setor de atuação da empresa.

Os principais múltiplos utilizados para estimar o valor da empresa, confrontados com os de empresas comparáveis listadas em bolsa de valores, são: (i) Preço/Receita, (ii) Preço/EBITDA, (iii) Preço/Lucro e Preço/Patrimônio.

Ao analisarmos Múltiplos de Transações Comparáveis de M&A envolvendo negociações recentes de empresas do mesmo mercado, as principais relações são: (i) Valor da Transação/Receita (EV/Receita) e (ii) Valor da Transação/EBITDA (EV/EBITDA).

Para exemplificar o caso, podemos afirmar que se o múltiplo de Preço/EBITDA médio, de uma seleção de empresas comparáveis listadas em bolsa de valores, for de 10x, significa que podemos considerar esse múltiplo como um parâmetro para o valuation da empresa que estamos avaliando, e multiplicarmos o EBITDA calculado para a empresa em nossa avaliação por 10 para termos uma referência rápida do valor da empresa em questão.

Apesar da praticidade e rapidez de cálculo oferecida por este método de avaliação, o que pode facilitar uma estimativa rápida sobre o valuation, ao calcularmos o valor de uma empresa simplesmente comparando seus indicadores aos de outras do mesmo setor, assumimos, implicitamente, que elas possuem as mesmas taxas de crescimento, nível de investimento e riscos, o que não é necessariamente verdadeiro. Apesar de atuarem em um mesmo mercado, as empresas podem encontrar-se em estágios de maturidade distintos, possuírem modelos de negócios diferentes e produtos ou serviços com maior ou menor grau de inovação.

Para subsidiar uma boa decisão de investimento, de maneira bem fundamentada, é importante a construção de um modelo econômico-financeiro completo com cálculo do fluxo de caixa livre descontado. Em transações corporativas, a avaliação por meio de múltiplos de mercado é utilizada de forma complementar ao DCF, apenas como um parâmetro adicional, comparando o resultado da avaliação por DCF aos múltiplos de mercado.

c) Valor Patrimonial

A Avaliação Patrimonial é uma técnica aplicada por peritos avaliadores para determinar o Valor dos Ativos e Passivos da empresa, considerando critérios contábeis, normas técnicas e legislação aplicada, resultando em um laudo sobre o valor real dos bens, direitos, obrigações e investimentos da empresa, com a posição do patrimônio líquido na data base da apuração do último balanço disponível.

Este método de avaliação é comumente empregado com o objetivo de definir os valores reais e atualizados de todos os bens imóveis, móveis e intangíveis da empresa, e é muito utilizado em processos de Venda de Ativos.

d) Retorno sobre o Investimento (ROI).

O Retorno sobre o Investimento é uma métrica fundamental para calcular o desempenho esperado de investimentos. É uma análise amplamente empregada por profissionais de finanças para avaliar a viabilidade e a atratividade de projetos de investimento, visando maximizar os retornos em termos financeiros e mitigar os riscos, possibilitando decisões de alocação de capital mais eficientes.

Em finanças corporativas, esse estudo é utilizado para calcular a potencial demanda de capital para projetos de investimento, como no suporte de planos de expansão via (i) aquisições, (ii) crescimento orgânico e/ou (iii) reestruturação de dívidas. O ROI reflete o valor econômico da oportunidade de investimento com base no retorno potencial do aporte tanto de investidores estratégicos quanto financeiros, como fundos de investimento (Private Equity ou Venture Capital), a partir da geração de caixa em excesso as necessidades e compromissos assumidos pela empresa durante a execução do plano de crescimento e realização do investimento após um período pré-determinado.

Alavancando o Valor da Empresa

Considerando que o valuation por DCF é baseado em expectativas sobre o retorno futuro, representando o potencial do investimento, apresentar um histórico consistente de resultados e um crescimento forte impacta positivamente a construção da perspectiva para o negócio e melhora a percepção sobre o seu valor econômico.

Construir um bom modelo econômico-financeiro é uma das primeiras etapas do processo de M&A, e se constitui como um grande aliado não apenas na apuração do valor atual da empresa, mas principalmente no diagnóstico correto de seu quadro financeiro e econômico, identificando medidas gerenciais que possam ser implementadas ao longo do processo para melhorar a eficiência financeira da empresa e respectivamente o seu valor.

Capturar o valor potencial de uma transação corporativa requer um preparo cuidadoso e uma execução primorosa, e esse esforço inicia-se com bastante antecedência. Enfrentar o desafiador e exaustivo processo de M&A requer um planejamento detalhado, e recomenda-se a contratação de um assessor especializado em finanças e fusões e aquisições para liderar o processo desde sua concepção a fim de elevar não só o valor do negócio como também aumentar as chances de êxito do projeto. Um profissional experiente no tema pode ser um grande aliado para os sócios, capaz de gerar um resultado inúmeras vezes superior ao custo dos seus serviços.

A preparação para uma operação de M&A, quando realizada por assessores experientes, compreende uma série de etapas distintas e pré-definidas que visam valorizar a empresa e reduzir os riscos inerentes ao processo. Dentre as principais etapas podemos citar o mapeamento das necessidades e objetivos específicos da empresa e seus respectivos acionistas, a simulação de cenários possíveis e orientação quanto as melhores opções e as estratégias mais adequadas para cada alternativa, a estimativa do valor atual da empresa e indicação de medidas com potencial de valorizar o negócio, a identificação, qualificação e atração de potenciais compradores e investidores interessados em investir na empresa, bem como a abordagem e condução estruturada das negociações até a conclusão com êxito da operação, assegurando os melhores termos e condições para os sócios.

Gerir continuamente o valor da empresa requer identificar a forma pela qual a empresa gera valor, e acompanhar os impactos das decisões empresariais no valor da empresa. O modelo Econômico-Financeiro deve ser utilizado como um importante instrumento para nortear as suas decisões de investimento, pois permitem simular diversos cenários e antever de que forma decisões impactam o valor da empresa ao longo do tempo, sendo utilizado, portanto, para prever de que forma as decisões empresariais podem gerar ou destruir valor para os acionistas.

Intervenção Estatal e Baixa Competividade


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Foi publicada a entrevista que concedi à Tribuna da Imprensa , jornal fundado por Carlos Lacerda em 1949.

“Intervenção estatal e baixa competividade levam o Brasil a ter um dos ambientes de negócios mais instáveis do mundo.” Tribuna da Imprensa.

Por REDAÇÃO
04/01/2025 – 11h24
tribuna.com.br

Economista afirma que Brasil concentra uma quantidade recorde de instituições solicitando Recuperação Judicial ou decretando falência / Daniel Rivera (Divulgação).

Em entrevista à Tribuna da Imprensa, o economista Daniel Rivera aponta as principais dificuldades enfrentadas pelo País para atração de investimentos e pleno desenvolvimento do mercado interno

Com ampla experiência nos mercados nacional e internacional, o economista Daniel Rivera assessorou importantes transações de fusões e aquisições empresariais no Brasil e no exterior, tendo inclusive trabalhado em empresas globais, como a Petrobras e a Ernst & Young. Como sócio-fundador da Elit Capital, o economista tem visto o cenário econômico e fiscal do Brasil com cautela. Em entrevista exclusiva à Tribuna da Imprensa, Daniel Rivera aponta os principais gargalos que travam a economia brasileira, e do Rio de Janeiro, que, apesar de apresentar bons resultados, especialmente no turismo, ainda precisa trabalhar muito para ter um ambiente de negócios estável e juridicamente previsível.

Tribuna da Imprensa: Como o senhor avalia o ambiente de negócios no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro? Como a instabilidade dos cenários fiscal e econômico podem impactar a perenidade das empresas?

Daniel Rivera: O ambiente de negócios é altamente dependente de alguns fatores específicos, como: confiança, segurança e estabilidade/previsibilidade. Com base nas nossas interações com empresários brasileiros e acesso a dados sobre o mercado, identificamos uma tendência, claramente, desfavorável ao ambiente de negócios no Brasil. Podemos citar apenas alguns dos indicadores que fazem do ambiente atual instável, a começar pelo déficit fiscal. No acumulado em doze meses, o resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, alcançou R$ 1,1 trilhão; o que representa 9,50% do PIB. Já a dívida bruta do Governo Federal abocanhou 77,7% do PIB, somando R$ 9,1 trilhões, em novembro de 2024; um aumento significativo de 3,9 p.p. do PIB.

Tribuna: E quais são as consequências desse contexto?

Daniel Rivera: Como consequências temos a disparada do dólar em relação ao Real. A moeda nacional sofreu uma desvalorização de 21,82%, em 2024. O percentual faz da nossa moeda a mais desvalorizada entre 27 economias, indicando uma das maiores fugas de capital da História do Brasil. O Ibovespa, por sua vez, apresentou o pior desempenho em comparação com outras bolsas de valores internacionais, sofrendo uma desvalorização de 29,92%, em dólares no ano. Além disso, temos ainda expectativas de elevação da taxa de juros, o que reflete a contínua e acelerada deterioração da economia nacional.

Tribuna: Quais são os impactos desses indicadores no mercado de capitais?

Daniel Rivera: O mercado de capitais é extremamente importante na dinâmica econômica. Ele tem a função de viabilizar investimentos e financiar o setor produtivo, por meio de estruturação de empréstimos/dívida ou participação societária (equity / emissão de ações). Com os juros em patamares restritivos, as empresas enfrentam condições mais desafiadoras para rolarem suas dívidas. A última empresa a abrir o capital (IPO) na Ibovespa foi a Vittia (VITT3), em setembro de 2021. Desde então, enfrentamos uma estagnação de mais de 3 anos. Para deixar o cenário ainda mais claro: o Brasil registra um elevado número de empresas altamente alavancadas e em situação de estresse financeiro, além de concentrar uma quantidade recorde de instituições solicitando Recuperação Judicial ou decretando falência.

Tribuna: E quanto ao Rio de Janeiro?

Daniel Rivera: No 2º quadrimestre de 2024, o Rio de Janeiro, de acordo com Mapa de Empresas, uma ferramenta do Governo Federal, registrou um aumento de 16,2% no fechamento de empresas em relação ao mesmo período de 2023. Isso coloca o Rio na liderança do ranking nacional de negócios com atividades encerradas. Embora, a economia fluminense apresente saldo positivo entre empresas abertas e fechadas, registrando a abertura de 47 mil empresas no 2º quadrimestre de 2024, e 124 mil nos últimos 12 meses, quase 80% delas são do tipo Empresário Individual, incluindo MEI; o que pode significar uma migração de empregos para um empreendedorismo por necessidade.

Tribuna: Quais são os fatores de risco ou de solidez para um ambiente de negócios equilibrado?

Daniel Rivera: De acordo com a teoria econômica, um ambiente de negócios favorável exige um mercado livre, com o mínimo de intervenção estatal. O desenvolvimento do ambiente de negócios se dá em função da disponibilidade de renda da população, da capacidade produtiva e de investimento das empresas. O Custo Brasil impõe pesadas limitações à produção, ao consumo e ao investimento, gerando alta carga tributária, além de ineficiência dos serviços públicos. A reforma tributária recém-aprovada indica que teremos a maior carga tributária do planeta.

Tribuna: O Rio de janeiro tem atraído um volume de investimentos considerável. Isso é sinal de estabilidade, ou o cenário ainda deve ser melhorado para receber novos negócios?

Daniel Rivera: O caso do Rio de Janeiro é particularmente preocupante devido a questões políticas e de segurança pública. O Governo do Estado teve sete governadores investigados nos últimos oito anos, sendo que 5 deles foram efetivamente encarcerados. Invariavelmente, estas questões impactam as decisões de investimento na economia fluminense, onerado as empresas e inibindo a produção e o consumo. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil, infelizmente, lidera o ranking dos países com o maior número de homicídios do mundo, apesar de não estar entre os mais violentos. O Rio de Janeiro tem índices bastante elevados em comparação com outras cidades turísticas globais. Isso restringe significativamente os investimentos e o potencial turístico da cidade.

Tribuna: Como o senhor avalia o perfil médio do empresariado brasileiro, em especial o fluminense?

Daniel Rivera. Eu sou carioca e desenvolvi a primeira fase da minha carreira profissional no Rio de Janeiro, especialmente como economista na Petrobras, portanto, posso afirmar que conheço bem a cultura da Cidade Maravilhosa. Os nossos empresários sabem identificar boas oportunidades e explorá-las excepcionalmente bem, sempre com muita criatividade. Os brasileiros são muito empreendedores e verdadeiros sobreviventes neste ambiente de negócios inóspito que sempre tivemos no Brasil, e em especial, na capital fluminense, onde as pessoas buscam levar vantagens nas relações, muitas vezes de forma indevida. As pessoas fazem negócios com quem confiam; a falta de segurança, previsibilidade e confiança é extremamente prejudicial ao ambiente de negócios local.

Tribuna: O empresariado brasileiro é um bom leitor de cenários complexos? Quais são as principais falhas cometidas por eles?

Daniel Rivera: A resposta é positiva em relação à leitura que os empresários costumam fazem sobre os mercados em que atuam, mas nem sempre verdadeira quando se trata do cenário político e econômico brasileiro e, principalmente, internacional. Identificar tendências econômicas costuma ser mais difícil, sobretudo para as empresas de pequeno e médio porte, uma vez que as consequências a médio e longo prazo não são óbvias e requerem estudos especializados. Por outro lado, compreender corretamente essas tendências é fundamental para o posicionamento no mercado.

Tribuna: Entres os gargalos enfrentados pelas empresas no Brasil quais são os mais difíceis de ultrapassar? O Rio de Janeiro oferece algum desafio em especial?

Daniel Rivera: Os desafios de se empreender no Brasil são inúmeros. Mas o investimento em educação e na formação profissional é o caminho para desenvolvimento do mercado. É através do conhecimento, aliado à experiência e experimentação, que alcançamos a inovação e criamos produtos e serviços. Com isso, é possível aumentar a produção, a geração de empregos e o consumo, que devem encontrar um mercado livre de intervenções estatais, para que a economia se desenvolva de forma plena e eficiente. O Rio de Janeiro, por exemplo, conta com excelentes escolas, e uma população com ótima formação. Os principais desafios do estado são a insegurança pública e certos desvios da cultura local, que tornam o ambiente menos favorável aos negócios. Além da educação, os maiores gargalos enfrentados pelos brasileiros são a pesada carga tributária, altos encargos trabalhistas, concorrência desleal, incerteza jurídica, limitações estruturais de renda e consumo, além da ineficiência estatal. O melhor programa social, e a melhor forma de justiça social é o acesso à educação e ao trabalho. Assim formamos um país de pessoas livres e independentes, e avançamos como sociedade.

Tribuna: Quais recomendações o senhor daria para quem quer abrir um negócio no Rio de Janeiro?

D.R.: Esteja bem assessorado.

Patricia Lima

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Perenidade Corporativa


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Sucessão Empresarial
Perenidade Corporativa

Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

A perenidade corporativa é a capacidade que uma empresa possui de manter-se próspera ao longo do tempo, garantindo a continuidade dos negócios, objetivo comum de empreendedores e um reconhecimento de seu sucesso empresarial.

Adaptar-se às mudanças é um desafio constante na vida cotidiana de empresários para atender a mercados cada vez mais exigentes e competitivos globalmente. Seguir relevante em ambientes complexos, às vezes até mesmo hostis, exige dedicação, investimento e persistência, especialmente no Brasil. Por garantir a subsistência da empresa em condições comprovadamente mais adversas do que em países europeus ou norte-americanos, o empresário brasileiro é comumente considerado por muitos como um verdadeiro herói, um indivíduo comum que encontra forças quase que sobrenaturais para perseverar apesar dos esmagadores obstáculos que se interpõem.

Estar preparado para as incertezas evidencia a importância de profissionalizar a empresa, planejando ativamente sua sucessão, reflete diretamente na perenidade do negócio. Muitas empresas simplesmente deixam de existir quando seus fundadores se aposentam ou precisam ausentar-se por qualquer razão, situação mais comum em negócios de pequeno e médio porte, que ainda não alcançaram a maturidade corporativa e carecem de uma estrutura bem-organizada, com processos definidos, sistemas de informação implementados, e colaboradores e sócios preparados, com autonomia e comprometimento com seu propósito.

Uma das principais responsabilidades de um empreendedor é pensar o futuro da empresa, preparando-se para enfrentar os desafios e mitigar os riscos, avaliando frequentemente os mercados em que atua, buscando identificar oportunidades de inovação, seja em novos produtos e serviços ou mesmo em seus processos. É preponderante repensar o modelo de negócios perante a nova realidade e tecnologias que se apresentem, estudando formas de alcançar níveis cada vez mais elevados de eficiência na operação e na gestão da empresa, além de acompanhar e reavaliar ativamente a estratégia definida, verificando se as relações de causa e efeito inicialmente imaginadas se comprovam e geram os resultados almejados, implementando os ajustes quando necessário.

Em empresas de médio porte é comum o dono ainda estar diretamente envolvido na execução ou supervisão das atividades rotineiras da operação. São em geral donos de empresas familiares, em que a gestão é passada de uma geração para a próxima. Para que esta situação de envolvimento direto nas tarefas cotidianas não restrinja o crescimento, à medida em que a empresa evolui o empresário precisa desenvolver novas competências, ou adquiri-las no mercado através da contratação de profissionais especializados. Com o crescimento da operação, e a depender do tipo de atividade econômica em que a empresa esteja envolvida, podem surgir necessidades de novos investimentos, como em máquinas e equipamentos, sistemas mais avançados, desenvolvimento ou aquisição de tecnologia, capital de giro e automação de processos, mas, acima de tudo, o empresário depara-se com a imprescindibilidade de investir na formação de equipes e delegação de tarefas e responsabilidades.

O empresário que consegue executar com êxito a transição de uma estrutura familiar para uma corporação, é aquele capaz de desenvolver a sua própria liderança e criar um ambiente de trabalho propício ao desenvolvimento das pessoas com quem trabalha, alavancando desta forma o crescimento da sua organização. A liderança empresarial é conquistada por meio do desenvolvimento de relacionamentos de confiança, construídos através da convivência, seja com colaboradores, clientes ou qualquer outra parte interessada nos negócios da empresa.

Como a empresa efetivamente cria valor para os seus acionistas, e como é possível capturar este respectivo potencial de valorização? Crescimento por si só não garante a geração de valor, que pode inclusive acelerar a destruição de valor no caso de operações deficitárias, por exemplo. Em termos econômicos, aliar altas taxas de crescimento e margens operacionais generosas à baixa necessidade de investimentos e capital de giro tem uma grande influência na geração de valor econômico, resultado da expectativa de geração de fluxos de caixa futuros em excesso à necessidade de capital que a empresa precisa para operar.

Ao se preparar para a sucessão, é importante avaliar a empresa de forma ampla, considerando critérios complementares aos parâmetros puramente econômico-financeiros, como conhecer a tendência e a dinâmica dos mercados em que a empresa atua, o grau de inovação e diferenciais dos produtos e serviços prestados em relação à concorrência e a eventuais produtos substitutos, além do próprio modelo de negócios e respectivos riscos inerentes, pois são alguns dos elementos que sustentam o crescimento. O quão bem estruturada e preparada a empresa está, em termos de organização e pessoas, é outro fator chave para a uma avaliação bem-feita, principalmente quando se pensa em buscar capital junto ao mercado financeiro ou atrair novos sócios e investidores.

Estar preparado significa ainda a capacidade de identificar rapidamente e aproveitar adequadamente as melhores oportunidades de investimento disponíveis. Em última análise, alcançar um alto nível de valorização é o resultado de decisões consistentes ao longo do tempo, e para conseguir isso é fundamental cercar-se de bons conselheiros, pessoas experientes e especializadas em suas áreas de conhecimento, que possam oferecer o suporte para se alcançar a melhor escolha possível, ponderando estas opiniões e calculando as possíveis implicações da decisão no futuro da empresa e estimativas para o fluxo de caixa esperado.

Quando me refiro a tomar boas decisões, talvez um dos maiores desafios para as empresas de médio porte seja justamente as decisões de investimentos. São decisões geralmente mais complexas, que requerem conhecimento especializado de finanças corporativas, para incrementar a eficiência financeira, e nem sempre está disponível em empresas de médio porte. Algumas questões básicas podem servir para exemplificar a importância do tema: Captar ou não uma dívida, e a que preço, para comprar insumos à vista com desconto? Qual o nível ótimo do estoque? Comprar ou alugar um imóvel? Estas são apenas algumas questões nem sempre simples de serem respondidas sob a ótica do custo financeiro, juros, ou mesmo do ponto de vista do custo de oportunidade. São decisões que podem afetar significativamente o valor da empresa ao longo do tempo e que precisam ser endereçadas adequadamente, através da implementação da gestão contínua do valor da empresa.

No processo de preparação sucessória, considerar a implementação de uma governança corporativa pode contribuir para o processo decisório da organização e ajudar os sócios, por meio de uma visão técnica dos conselheiros, no suporte à decisão de questões estratégicas. A governança corporativa é considerada um dos principais pilares da perenidade corporativa, um pré-requisito exigido por muitos investidores profissionais como os fundos de investimento, e bastante valorizado nas interações com o mercado financeiro de forma geral, caracterizando-se como uma prática fundamental para as empresas que pretendem se relacionar com a transparência exigida por grandes clientes.

Ao preparar a sucessão, na implantação da governança corporativa, a constituição de um conselho de administração é crucial para acelerar a tomada de decisões tecnicamente fundamentadas. Um conselho de administração composto por conselheiros independentes pode contribuir para o embasamento técnico amplo das decisões empresariais, e ajudar a mitigar os riscos associados a pressões emocionais momentâneas e soluções de curto prazo, possibilitando maior clareza na adoção de medidas para a geração efetiva de valor ao longo do tempo, alinhadas ao legado e aos princípios da empresa, respeitando as pessoas envolvidas no processo.

Preparar a sucessão de um empresário de sucesso requer planejamento cuidadoso e execução primorosa. Nos casos em que existe a possibilidade de formar um membro da família para assumir os negócios, o que demanda tempo e investimento, a família tem condições de dar continuidade à sua gestão, mas em outras situações, apesar de bem-sucedidas, muitas empresas não conseguem encontrar alternativas claras para a saída do seu fundador ou respectivos herdeiros, simplesmente por não haver um membro da família devidamente preparado ou mesmo interessado em assumir os negócios, e a perenidade da empresa pode estar em risco.

Quando não há uma possibilidade clara de sucessão familiar, uma das possibilidades é contratar no mercado um profissional experiente e bem formado para assumir a função do então principal executivo. Esta opção apresenta diversos benefícios, como a transição de uma gestão família para uma gestão profissional, e a simplificação e rapidez em se identificar um bom substituto em comparação a outras opções, mas traz consigo outras implicações, como desafios para se acompanhar os resultados da nova gestão e garantir o seu alinhamento aos interesses dos sócios remanescentes, a observância das práticas da nova gestão e respectiva aderência cultural, além da preservação dos princípios, valores e comportamentos cultivados ao longo do tempo e estabelecidos pela gestão familiar.

O M&A pode ser considerado uma das formas não convencionais de sucessão empresarial, e pode garantir a perenidade das atividades da empresa. Identificar e atrair um novo sócio, capaz de garantir a continuidade do bom trabalho realizado pelos atuais sócios e colaboradores, seja para compor o capital social e contribuir para o crescimento da empresa durante um período pré-determinado, ou mesmo para substituir definitivamente o executivo da família, que se retira da sociedade após contribuir por um longo período para o sucesso da empresa. Esta é uma excelente alternativa para muitos casos de ausência de sucessores, desde que as empresas se preparem corretamente para este movimento e que tenham alcançado o respectivo nível de organização e maturidade necessários para realizar uma transação desta natureza. Observados estes critérios, o sucesso na alienação de participação societária ou a venda total da empresa podem ser as melhores soluções sucessórias possíveis, tornando-se um evento de liquidez relevante para os sócios retirantes e assegurando ao mesmo tempo a perenidade dos negócios.

Estar preparado para uma transação corporativa, seja uma captação de recursos, alienação de participação societária, fusão ou aquisição, é um pré-requisito para permitir um processo fluido e rápido, reduzir os riscos da operação em si, elevando as chances de êxito da operação, e obter o melhor valor possível pela empresa.

Visão 2022 – Perspectiva Socioeconômica Brasileira


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Nossa experiência no combate à inflação é muito grande, e por isso, neste contexto, hoje temos números melhores do que Estados Unidos e Europa.

De acordo com a ata do Fed divulgada em 21/09/2022, o crescimento dos EUA foi revisto para baixo neste e no próximo ano, e os juros por lá devem permanecer em patamar mais elevado por mais tempo. A Europa parece ainda mais atrasada no endurecimento de sua política monetária.

Com isso, apesar da interrupção do ciclo de alta dos juros por aqui, creio que permanecerão neste nível por um prazo maior do que o mercado parece precificar.

A saúde da economia brasileira vai bem, obrigado. Commodities em alta, Agro fortalecido, inflação recuando com a ajuda da redução de impostos (🙏🏼) e expectativas mais ancoradas, juros em nível relativamente alto sim mas com timing aparentemente apropriado e viés baixista no médio prazo, atividade econômica com indícios mais consistentes de melhora, desemprego caindo, relação divida/PIB melhorando e superavit comercial.

Mesmo com todas as medidas adotadas nos últimos 2 anos e meio, a recuperação em V do Brasil surpreende. A distribuição de auxílio foi gigantesca, ajudou e continua a socorrer os mais carentes, que foram proibidos de trabalhar. Por outro lado, o auxílio impõe um preço alto à sociedade, pelo custo fiscal e inflação. O nível de endividamento das famílias e empresas, em função das referidas medidas, também preocupa.

Temos muito o que fazer como país, como as reformas políticas, tributárias e trabalhistas, mas notadamente na melhora da Educação, para que possamos Produzir mais e melhor. Incluir, por meio da educação e produção, essa Massa de Excluídos que se arrasta desde a lei áurea, explorada há 522 anos pelos Parasitas do governo, uma massa que uma minoria carrega nas costas. Enquanto não resolvermos essa equação, não cresceremos nem nos desenvolveremos como uma Nação Soberana.

Precisamos fomentar a Competição nos mercados, criar e atrair mais empresas em todos os setores da nossa economia.

Menos Impostos, Menos Estado, Mais Liberdade Individual, Mais Investimentos, Mais Renda, Mais Prosperidade.

Daniel Rivera

Economista. Sócio Fundador da Elit Capital

M&A – Estrutura de Remuneração.


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Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

Em 2021 o volume global de Transações Corporativas alcançou um novo recorde histórico, totalizando US$ 5,8 trilhões de dólares, um crescimento de 63% frente a 2020, segundo a consultoria Dealogic. Com a atual liquidez nos mercados financeiros e o baixo custo do capital, o movimento de Fusões e Aquisições deve seguir nessa forte tendência observada nos últimos anos, apesar da inflação persistente e iminente elevação dos juros a nível mundial.

Atravessamos um momento ímpar na história, com muitas oportunidades de fusões e aquisições sendo originadas, tanto pela degradação econômica derivada das medidas implementadas pelos governos durante 2020 e 2021, como pela agenda de investimentos em infraestrutura, os inúmeros IPOs realizados e as novas operações de abertura de capital esperadas para 2022.

Muitas empresas estão fragilizadas, com alto nível de endividamento, e acabaram por tornarem-se alvo de aquisição. Em decorrência das transformações aceleradas, impostas pelo próprio mercado, as empresas se sentem impelidas a investir pesadamente no desenvolvimento e aquisição de novas tecnologias, inovação, novos modelos e formas de se trabalhar e fazer negócios. Neste cenário, consolidação de mercado e transações transformadoras desempenham um papel vital.

Em um contexto no qual a atividade de identificação, desenvolvimento e aquisição de novas competências e tecnologias proporciona um diferencial competitivo fundamental na estratégia empresarial, uma das decisões corporativas mais importantes é a definição correta da melhor equipe a ser alocada em projetos críticos.

Segundo levantamento da consultoria Robert Half, a busca por profissionais de M&A aumentou 50% em 2021, e os recrutadores encontram dificuldade em identificar candidatos com a qualificação necessária. O mercado financeiro é o setor que oferece a melhor remuneração, e neste caso os salários no segmento de fusões e aquisições alcançam R$ 70 mil reais mensais, ou aproximadamente US$ 12 mil dólares por mês, de acordo com o “Guia de Salários 2022” elaborado pela consultoria.

A venda de uma empresa é uma das decisões financeiras mais importantes na carreira do empreendedor, e estar bem assessorado é fundamental para garantir os melhores termos, e não correr o risco de perdas significativas através de contratos perigosamente desfavoráveis. A estrutura de remuneração utilizada em transações corporativas é uma das que melhor alinham os interesses das partes envolvidas, e a comissão, ao fechamento da operação, é um dos pagamentos mais prazerosos que o cliente pode fazer, resultado de uma operação de sucesso e com o dinheiro da venda no bolso.

O processo de compra ou venda de uma empresa é complexo e de longa maturação, demandando dedicação exclusiva de profissionais especializados, por meses. O assessor de M&A adiciona valor ao processo de várias maneiras diferentes, e contribui de diversas formas. Não é simples estratificar sua contribuição em cada projeto no qual participa, mas de acordo com 3/4 dos assessores de M&A consultados por uma pesquisa global sobre o tema, a “Gestão do Processo” é a tarefa que agrega maior valor aos clientes em uma operação desta natureza, seguido por “Negociação do Deal” e “Identificação de Compradores”, citadas por metade dos entrevistados. “Preservar o Foco” da equipe de gestão na operação da empresa e “Estabelecer a Credibilidade” do processo perante o mercado foram mencionadas por 97 profissionais consultados.

A pesquisa “M&A Fee Guide 21/22”, publicada pela Axial (Axial.net), uma plataforma Americana de M&A, apresenta as principais características da estrutura de remuneração dos Assessores de Fusões de Aquisições atuantes em transações de médio porte no continente americano, com o propósito de garantir maior transparência na contratação de assessores especializados em compra e venda de médias empresas. A pesquisa foi realizada entre julho e setembro de 2021, conduzida com 269 líderes distribuídos entre EUA (79%), Canadá (16%) e América Latina (5%). O Brasil contou com a participação de 5 firmas (~2% da amostra).

A proposta de valor das firmas de M&A está mudando. Manter o bom relacionamento com potenciais investidores parece perder força neste novo contexto, dando lugar à excelência nas atividades de gestão e negociação da transação, onde a capacidade técnica e integridade dos profissionais envolvidos tem maior influência no processo. Plataformas de M&A, Data Room Virtual e bancos de dados específicos contribuem para a eficiência e automação do processo, e são cada vez mais utilizadas para identificar possíveis compradores, investidores ou mesmo empresas alvo de aquisição. Estas informações estão mais acessíveis, dependentes da qualidade das ferramentas e bases de dados utilizadas.

De acordo com o guia, a maioria dos assessores (42%) trabalha em até 5 deals por ano, e 21% participam em média de 6 a 10 negócios, enquanto 30% dos profissionais são envolvidos em mais de 10 projetos. Uma minoria (7%) trabalha em menos de um deal completo por ano. O segmento de mercado de médias empresas é dominado por boutiques de M&A enxutas, e o resultado da pesquisa sugere uma proliferação destas firmas atuando em uma quantidade menor de transações, com foco na qualidade dos projetos, em detrimento da quantidade.

Uma das características mais importantes, a serem ponderadas pelas boutiques de M&A, em suas decisões sobre o engajamento em uma transação, diz respeito ao porte do negócio que pretendem liderar. É comum definirem um valor mínimo para as transações nas quais se propõem a atuar, e mais da metade (56%) dos respondentes indicaram que o limite dos deals nos quais se envolvem é de US$ 5 milhões ou menos. Cerca de 1/3 engaja-se em negócios entre US$ 10M e US$ 20M de dólares, pelo menos. No Brasil cerca de metade do volume de transações anuais são de até R$ 50 milhões de reais, e concentram os esforços da maioria dos assessores de fusões e aquisições. A partir de US$ 50M o mercado fica mais seletivo, e apenas 11% dos assessores consultados participam destas operações.

A estrutura de remuneração do assessor de M&A é determinada, principalmente, em função do porte, complexidade e probabilidade de sucesso da operação, além das condições e intensidade da atividade no mercado de fusões e aquisições e do segmento específico do cliente. O porte da transação pretendida impacta diretamente a compensação do assessor, tanto em relação aos honorários fixos quanto à comissão, variável.

Negócios de maior relevância permitem alocar profissionais mais preparados e exigem um investimento inicial maior, elevando as chances de sucesso das iniciativas de Corporate Development. A comissão também depende do tamanho do projeto, quanto maior o deal, menor o percentual cobrado pelas boutiques. Estruturas alternativas com percentual escalável, têm ganhado força nas negociações entre as boutiques e os clientes, e pressupõem a adoção de percentuais adicionais conforme a expectativa de valor estimado para a transação é excedida, adotadas por 39% dos assessores consultados no guia. Espere também que seja estabelecida uma comissão mínima, padrão da indústria e adotada por 1/3 das firmas, especialmente para transações menores.

Clientes menores têm mais restrições orçamentárias para suportar a contratação de uma assessoria profissional especializada, além de gerarem comissões relativamente inferiores, e oferecerem chances reduzidas de sucesso, apesar de demandarem maior esforço de negociação e preparação, por parte das boutiques de M&A. Com o mercado aquecido, a tendência é que as firmas selecionem transações maiores para trabalhar, otimizando a alocação de seus recursos.

As firmas que atuam em fusões e aquisições precisam vincular seus interesses econômicos aos objetivos de seus clientes, principalmente em mandatos no Sell-Side, e os honorários fixos são fundamentais para garantir esse alinhamento e proteger tanto o cliente quanto a firma. O modelo econômico das boutiques de M&A é baseado no sucesso das operações que concretizam, não nos honorários. Mais do que apenas cobrir os custos do processo, os honorários permitem ao assessor compartilhar os riscos da operação com o cliente, e demonstram a disposição de ser recompensado principalmente no êxito, sendo comum para 1/3 dos assessores inclusive deduzir os honorários iniciais da comissão.

Transações com valor entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões de dólares costumam pagar de 4% a 6% de comissão aos assessores envolvidos. Em negócios maiores, de US$ 20 milhões a US$ 50 milhões, as comissões costumam se situar entre 2% e 4% do total negociado pela boutique contratada. Os deals acima de US$ 100 milhões são precificados de 1% a 2% do valor da transação. Em operações menores, principalmente aquelas até US$ 10 milhões de dólares, algumas firmas conseguem negociar percentuais de comissão de 6% a 8%, ou mais, conforme a pesquisa da Axial. Pela experiência da Elit Capital em Transações Corporativas, os resultados apresentados no “M&A Fee Guide 21/22” refletem adequadamente a prática das principais boutiques de M&A e bancos de investimento atuantes no Brasil.

Com a concretização da transação, a depender da estrutura, pode haver variação significativa no preço do negócio, e afetar a comissão do assessor. A forma de pagamento da comissão é um ponto importante e deve constar no contrato entre o cliente e o assessor, reforçando inclusive o alinhamento de interesses das partes. O ponto principal desta negociação é distinguir dentre os componentes do preço. Os valores referentes ao Equity ou o financiamento da transação por parte do vendedor são pagos aos assessores no fechamento da transação, independente da forma de pagamento da transação, enquanto a parte da comissão que incide sobre o valor do earnout, referente ao desempenho futuro da empresa adquirida, é recebida se e quando este de fato for recebido pelo cliente.

Os resultados do “M&A Fee Guide 21/22” revelam ainda que enquanto 86% dos profissionais cobram comissão mais honorários para executar o processo, 14% são remunerados apenas no êxito da transação. Vale mencionar que 10% das respostas são de “Corretores”, 8% de “Outros”, 3% são “Advogados” e 1% “Contadores”, que têm modelos de trabalho diferentes do assessor de M&A, que representa 75% das respostas do guia.

De certa forma, a parcela de profissionais remunerados apenas no êxito parece ser um resultado surpreendente para os organizadores do guia, que entendem que esse fenômeno possa retratar situações específicas, como no caso de negociação por parte das principais boutiques de M&A junto aos grandes clientes por comissões maiores, ou ainda devido aos novos entrantes no mercado, em busca dos primeiros clientes, para formar uma carteira de mandatos e provar sua capacidade de execução, ou simplesmente representa a parcela de corretores e outros profissionais que responderam ao formulário. Se considerarmos apenas o mercado brasileiro de transações corporativas, que por aqui não é regulado, como ocorre nos EUA, a quantidade de profissionais sem formação especializada em M&A, que se propõem a trabalhar sem honorários, é provavelmente bem maior.

Ainda de acordo com o guia da Axial, considerando-se apenas as firmas que cobram honorários, além de comissão variável sobre o êxito da transação, o mais comum é a cobrança de honorário fixo, declarado por 42% dos participantes da pesquisa, sendo que a maioria destes cobra ao menos US$ 15 mil dólares para desenvolver o trabalho. Outros 35% adotam honorários entre US$ 10 mil e US$ 15 mil dólares por mês. Os 9% restantes são contratados por hora.

Assessores de M&A qualificados são firmes quanto a sua estrutura de remuneração, e deixam claro o valor de seus serviços aos clientes. Para garantir os melhores termos e condições possíveis em suas negociações, atrair múltiplos investidores potenciais qualificados, e superar os principais obstáculos e desafios inerentes às operações de fusões e aquisições, as empresas buscam identificar e contratar os profissionais mais bem preparados, com experiência em traçar estratégias vencedoras e proteger os interesses da empresa, de forma a garantir um excelente retorno para seus investimentos.

M&A Brasil – Julho 2021


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O mercado Brasileiro de Fusões e Aquisições está muito aquecido, assim como está acontecendo em diversos outros países. Na América Latina, o Brasil concentra em média 50% das transações na região.

No primeiro trimestre de 2021 as operações de M&A no Brasil tiveram um acréscimo de 50% em relação ao mesmo período de 2020, e volume 104% maior que a média do trimestre do período de 2015 a 2019.

Em 2020 houve um recorde de 1.038 transações no Brasil, e 2021 apresenta aceleração nos negócios e tendência de forte crescimento no volume de transações, com potencial de novo recorde.

Devido ao Covid-19, que gerou muitas incertezas, principalmente nos meses de março e abril 2020, a retomada do crescimento do número de transações ocorreu a partir de junho 2020, de forma regular e significativa. O volume de negócios do 2º trimestre 2021 revela um crescimento de 23,7% em relação ao trimestre anterior. O 1º semestre de 2021 totalizou 812 operações no Brasil, volume 98% maior que em 2020, e investimentos de R$ 353,0 bilhões (+229,8%), com predominância dos Investidores Estratégicos com aumento de 91% no volume e 291,3% nos investimentos em relação a 2020. investidores Financeiros registraram aumento de 111,0% no volume e 167,2% no montante.

Dentre os setores mais ativos em 2020 e 2021 destacam-se Tecnologia da Informação e Comunicação (TI), Instituições Financeiras e Hospitais e Laboratórios de Análises Clínicas. Historicamente, cerca de metade das transações no País são de até R$ 50 milhões de reais, sendo o setor de TI o mais ativo, respondendo por cerca de 50% das transações. A região Sudeste concentra em média 60% da atividade de M&A, e apenas 5% do volume de transações ocorre fora do país.

Investidores Nacionais, no acumulado do ano, foram responsáveis por um crescimento tanto no volume, de 113,8%, como no montante, de 249,5%, com 680 operações (+113,8%) em relação a2020, como 83,7% das operações. O investimento foi da ordem de R$ 277,6 bilhões, o equivalente a 78,6% do total, correspondendo a um crescimento de 249,5 % em relação ao mesmo período do ano anterior.

No primeiro semestre 2021 os Investidores Estrangeiros registraram 132 operações, crescimento de 43,5%, e R$ 75,5 bilhões de investimentos, um aumento de 173% sobre 2020, totalizando 16,3% do total de negócios no país. Os investidores estrangeiros mais ativos no País são geralmente dos Estados Unidos, seguidos pela França e Espanha, com participação importante do Reino Unido, Alemanha e Argentina.

Considerando o papel do país como um dos maiores produtores agrícolas mundiais, com uma importante agenda de privatizações em andamento, grande demanda por projetos de infraestrutura, cenário próspero de startup e inovação, e um câmbio favorável, o Brasil se destaca como um grande destino para o capital de investimento para a economia real no curto prazo.

A experiência dos vendedores bem-sucedidos em M&A


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Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

Grandes empresas, investidores institucionais e fundos de investimento (Private Equity, Venture Capital, Family Offices, Pension Funds, Endowments, etc) bem como multinacionais, costumam contratar assessores especializados e banqueiros de investimento para liderar processos de venda de participação societária e atração de investidores para suas empresas, investidas, ou mesmo certos ativos de seus portfólios, pois compreendem o valor que esses serviços agregam.

Assessores especializados em transações corporativas estabelecem um padrão profissional para o processo, nivelando experiência e conhecimento entre investidores profissionais e vendedores, em especial no caso de vendedores inexperientes.

Estudo inédito publicado por um professor de finanças da Fairfield University em outubro de 2016, “The Value of Middle Market Investment Bankers”, Michael B. McDonald IV, revela o valor dos serviços prestados por Bancos de Investimento e Boutiques de M&A, em uma pesquisa com proprietários de empresas de médio porte que venderam com sucesso seus negócios.

Com o propósito de examinar (i) a forma como assessores de M&A agregaram valor em Fusões e Aquisições e (ii) classificar os serviços mais valorizados por empresários, participaram da pesquisa donos de 85 empresas Americanas de médio porte, e chegou-se às seguintes conclusões:

1. Vendedores bem-sucedidos valorizam em especial a Gestão e Estratégia da Transação. Estabelecer um processo competitivo bem estruturado, e adotar a estratégia correta, eleva o valor recebido pelos sócios, como demonstrado pelo estudo;

2. Estruturação e negociação. Altamente valorizados por empresários que venderam seus negócios, assessores experientes, com conhecimento específico, agregam valor através de estruturas e soluções personalizadas, apresentando instrumentos para equilíbrio dos interesses, redução de riscos e alcance dos objetivos, elevando as chances de sucesso.

Identificar um comprador ou investidor para o negócio, questão que os vendedores costumam dar maior importância ao avaliar a contratação de um assessor, ou mesmo ao considerar acionar corretores, mostrou-se na realidade o serviço de menor relevância para os vendedores bem-sucedidos ao final do processo.

De fato, boutiques e bancos de investimento bem estruturados possuem ferramentas, bancos de dados, conexões e acesso a redes de contatos que permitem identificar e qualificar potenciais investidores e compradores, e todos os bons assessores tem essa capacidade. O perfil do comprador que enxerga mais valor no negócio proposto é o que se deve buscar, de forma ativa pelos assessores, e para isso existem ferramentas sofisticadas. O desafio é estar devidamente preparado e bem assessorado, pois identificar os interessados é o de menos para quem sabe o que está fazendo.

DealMaking – Sucesso em M&A


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Por Daniel Rivera Alves
Sócio Fundador da Elit Capital

O sucesso não é mera obra do acaso, precisa ser construído através de ações planejadas e bem executadas. É necessário assumir a postura de protagonista. Adotar uma postura passiva, simplesmente esperando uma oportunidade aparecer, não costuma gerar bons resultados.

Há particularidades em processos de fusões e aquisições que apenas profissionais experientes conseguem antecipar. Detalhes que podem comprometer o projeto ou causar prejuizos incalculáveis.

Operações desta natureza exigem análises pertinentes a diversas áreas do saber. Assessores de M&A participam ativamente de transações corporativas e acumulam conhecimento especializado para identificar e evitar as mais variadas armadilhas, mitigar riscos de potenciais contingências e implementar os mecanismos necessários.

Quem nunca vendeu uma empresa ou não participou de nenhum processo destes, por vezes pode acreditar que a função de um assessor é apenas encontrar o comprador ou investidor interessado em adquirir uma participação na empresa. A verdade é que esta é apenas uma das etapas, e não garante por si só que a operação seja concluida com êxito ou mesmo dentro de parâmetros desejáveis a fim de evitar sérios problemas futuros.

Enquanto corretores limitam-se a apresentar interessados (ou curiosos), o que por vezes pode ter valor, a empresa ainda precisará cumprir uma série de outras etapas e enfrentar um longo e exaustivo processo, geralmente negociando com compradores bem assessorados por profissionais altamente qualificados. Contratar um assessor de M&A, ou banqueiro de investimento, é essencial não só para identificar partes interessadas, mas também para desenvolver uma série de outros serviços fundamentais, como estruturar a operação, preparar a empresa e material relacionado, conduzir as negociações e gerenciar as expectativas dos envolvidos, liderar o processo e elevar as chances de concluir com sucesso a transação, além de permitir ao empresário e administradores continuar a gerir as operações cotidianas.

A experiência do assessor complementa as competências dos proprietários sobre seus negócios, visão de mercados e possíveis parceiros. Utilizando bancos de dados de investidores e aplicando outras tecnologias em M&A para alavancar sua rede de contatos, o assessor identifica, qualifica e conecta-se com os parceiros com maior potencial em enxergar valor na operação.

Contratar uma boutique de M&A também demonstra ao mercado que há compromisso genuíno e representação profissional, valorizando a empresa e elevando a probabilidade de sucesso. O profissional tem responsabilidade por promover o negócio do cliente, manter a transação viva e competitiva, coordenar todos os aspectos da transação, bem como gerenciar os demais assessores envolvidos e as expectativas das partes.

As empresas raramente estão preparadas para enfrentar um processo intenso e de longa maturação quando a oportunidade surge. É preciso estar sempre preparado para uma transação, mesmo que não seja um objetivo no curto prazo. Trata-se de um compromisso com o aperfeiçoamento constante das práticas de gestão e geração de valor aos acionistas. A assessoria ajuda a empresa nesta preparação, para que esteja em condições de enfrentar este desafiador e exaustivo processo quando for o momento adequado. A abordagem contempla a elaboração do modelo econômico-financeiro e análises gerenciais complementares, implementação de um sistema de gestão conínua do valor da empresa, organização dos processos, informações confidenciais e documentos sensíveis, além do valuation e materiais técnicos relacionados à transação.

Complexa e intensa, uma operação de M&A dura em média entre seis e doze meses, sem contar o período de preparação prévia, e demanda dedicação de uma equipe especializada. Ao assumir a liderança do projeto, a boutique permite que os sócio e administradores continuem a se dedicar ao negócio. O tempo dos diretores é precioso e mais bem empregado na operação, pois a empresa precisa continuar crescendo e desenvolvendo suas atividades.

Existem muitas estruturas possíveis para transações corporativas, para além da fusão ou aquisição.
Estruturar a transação atendendo as necessidades específicas e desejos do cliente, oferecendo soluções inteligentes e criativas, é um dos serviços de maior valor agregado oferecidos por boutiques e bancos de investimentos. A liderança na estruturação, bem como o suporte ao longo de todas as fases da negociação, due diligence e closing, inclui discussões sobre os termos e condições envolvidas, preço, prazo, opções, garantias e demais considerações. A composição adequada destes fatores é fundamental para viabilizar o negócio com sucesso.

Introdução a Fusões e Aquisições (M&A)


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Fusões e aquisições de empresas é um tema cativante no contexto do mundo dos negócios, especialmente em questões relacionadas a estratégias e criação de valor.

O assunto é de alta complexidade e sua avaliação envolve geralmente o conselho de administração e os principais executivos da empresa, além de assessores financeiros e jurídicos externos especializados, sendo as decisões restritas aos sócios.

Simplificar é uma tendencia natural do ser humano, e mesmo considerando a amplitude da discussão proposta e riqueza de detalhes envolvidos em uma transação corporativa, o objetivo deste artigo é oferecer uma abordagem prática através de linguagem direta acessível a empresários em busca de maior entendimento sobre o tema, para enfrentar uma negociação desta natureza. Aos executivos envolvidos em processos de M&A e estudantes interessados no assunto, este artigo tem a intenção de compartilhar a visão de mercado sobre o processo de compra e venda de empresas, apresentar os principais conceitos e as indicar ferramentas necessárias.

Uma transação corporativa é um processo de mudança significativo e impacta diretamente as diversas partes envolvidas, não apenas acionistas, mas colaboradores, clientes, fornecedores e mesmo a sociedade de forma mais ampla. A Transformação de Capital inicia-se por meio de uma alteração no capital social, e pode, como consequência, impactar a estrutura de capital da organização resultante.

Garantir o sucesso da transação implica em gerir de forma eficiente o processo de mudança, com especial atenção às pessoas, integração de processos e cultura,  comunicando adequadamente as mudaças, de forma personalizada à cada stakeholder.

A principal razão para adquirir uma empresa ou combinar negócios é a expectativa de gerar sinergias, uma busca por mitigação de riscos e eficiências administrativas, operacionais e comerciais que possibilitem maior potencial de crescimento e geração de valor adicional. O desafio principal da captura de sinergias tem início no bom planejamento da operação que se pretende concretizar, e posteriormente na integração pós fusão e subsequente alavancagem das competências e ativos adicionados.

Mas como estimar o valor da transformação proposta? É necessário um exercício de projeção de cenários, em um esforço para imaginar os resultados da transação considerando premissas bem fundamentadas. Partindo-se do histórico individual de cada uma das companhias envolvidas, conhecendo bem seus modelos de negócios, produtos e serviços, ciclos e tendências de mercado, procuramos compor a visão para um período de crescimento explícito para cada empresa, separadamente.

Ao combinarmos ambos os modelos é possível identificar as sobreposições e oportunidades de sinergia, áreas em que podemos ser mais eficientes e reduzir custos, mitigar riscos, alavancar vendas, e assim calculamos o valor adicional em potencial a ser capturado em função da transação.

A forma através da qual atribuimos valor aos ativos ou empresas é pelo cálculo do seu valor econômico, ou seja, sua capacidade de geração de fluxo de caixa em excesso à seus compromissos, custos, despesas e investimentos necessários para financiar seu crescimento. O modelo econômico-financeiro é a ferramenta mais utilizada e aceita pelo mercado para estimar o fluxo de caixa e descontá-lo a valor presente pela taxa de desconto que melhor reflita o risco da projeção. O termo em inglês mais usado para designar esta metodologia é Valuation.

O Valor da Transformação


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Por Daniel Rivera
Sócio Fundador da Elit Capital

Estratégias de transformação através de Fusões e aquisições

Vivemos um momento muito especial da história, um período de transição onde as empresas enfrentam transformações profundas em seus modelos de negócios, geralmente impactados por processo de digitalização intenso. Neste contexto o perfil das aquisições empresariais parece evidenciar novos padrões, uma mudança de perspectiva puramente transacional para uma abordagem transformacional em operações de M&A, no que parece ser um ajuste de foco em relação a visão de longo prazo.

Estamos participando do desenvolvimento de uma nova economia, com atitudes e comportamentos muito diferentes, modelos de negócios disruptivos, e novas formas de promover experiências surpreendentes  aos nossos clientes. As startups aparecem no centro das atenções, e as grandes empresas estão atentas às novas propostas, sendo que as corporações já consolidadas no mercado, com modelos originados na velha economia, já entendem melhor o risco de ignorar as tecnologias e inovações que estão surgindo a uma velocidade incrível.

Muitas empresas consolidadas investem em iniciativas próprias, com potencial para transformar seus negócios, estruturando o que o mercado tem denominado de Corporate Venture. Estruturar uma área ou iniciativa em Corporate Venture pode garantir à empresa o protagonismo necessário em seu processo de transformação orgânica. Neste sentido, o fundamento da iniciativa se dá por meio de um aprendizado constante através de um processo contínuo de projeção sobre o papel da empresa no longo prazo e os ajustes de foco necessários no curto prazo para se manter aderente ao seu propósito e tendência identificada. A partir deste entendimento a organização é capaz de gerir o portfólio atual que sustenta sua participação de mercado, ao mesmo tempo em que impulsiona seu crescimento através do investimento na sua próxima geração de produtos e serviços com inovações alinhadas à tendência.

Para uma empresa estabelecida e bem estruturada, compreender de que forma a aquisição de um modelo transformador impactará seu negócio é uma questão complexa. Quais as alterações esperadas na estrutura atual da empresa e como medir o valor desta transformação? Não estamos falando do valor da empresa alvo da aquisição, mas do valor do prêmio conquistado com a adoção de uma nova tecnologia ou um novo modelo de negócios, que proporcionará uma nova forma de atuação no mercado, uma nova maneira de pensar a existência da empresa, suas relações de trabalho, cultura e preencher as necessidades e desejos dos clientes. Dependendo do caso e do grau de transformação, estamos falando de uma nova empresa, que poderá deixar de realizar os processos que até então executava, passando a fazer tudo de uma forma diferente.

Uma alternativa é criar uma plataforma de colaboração e desenvolvimento compartilhado, ainda pouco explorada pelas empresas, mas que já apresenta alguns bons exemplos. Esta opção permite alto grau de colaboração, complementariedade de competências, respostas rápidas às demandas de mercado e identificação das iniciativas vencedoras, alavancando assim as possibilidades de inovação e transformação de mercados.

Pensar sobre o processo de transformação de forma inorgânica, por outro lado, considerando aquisições de empresas que apresentem as características desejáveis, sempre foi uma estratégia muito utilizada por empresas líderes em seus mercados. Trata-se do dilema “construir internamente” ou “comprar pronto”. A alternativa permite acesso rápido à tecnologia, modelo de negócio pré-validado e novas formas de relacionamento e organização que podem acelerar o processo e reduzir os riscos da transformação. Alguns desafios devem ser observados para elevar as chances de êxito desta estratégia, como por exemplo (i) definir critérios robustos sobre o que se pretende adquirir, de forma a agregar valor de fato à estratégia, (ii) permitir a continuidade do ambiente e relações de trabalho que levaram ao sucesso da empresa alvo, e (iii) compreender os impactos da aquisição na estrutura atual, e como esta será transformada, e não o contrário.

Toda transação carrega um risco, que nada mais é senão a oportunidade de criação de valor em si. Oportunidades surgem de mudanças, gerando novas formas de se criar valor, o que pressupõe inovação. Ao optar por realizar uma aquisição, em detrimento do processo de inovação orgânica, a empresa substitui o risco de desenvolvimento interno por outro, inerente à transação.

Capturar o valor da transformação proposta tem o poder de revolucionar o negócio, porêm, para mitigar os riscos envolvidos e certificar-se de que a transação tem o potencial para gerar o valor almejado, a empresa precisa identificar claramente os critérios que farão da aquisição um sucesso, preparar-se com antecedência para integrar ou absorver o negócio, e executar primorosamente a transação, conforme os melhores termos e observando a aderência aos critérios pré-definidos. Repensar a organização em sua futura estrutura transformada, ou unificada, em contraste ao valor da empresa antes de concretizar o deal, é o que evidencia o valor da transformação.

No ambiente desafiador de uma transação transformacional, estar bem assessorado e adotar práticas e metodologias modernas desde a concepção do deal , pode representar a diferença entre se perder na complexidade do projeto ou concretizar seus objetivos. Alcançar o sucesso em transações corporativas desta natureza exige agilidade e uma forma de pensar que permita uma gestão mais eficiênte e assertiva da transação. A utilização de metodologias e ferramentas Ágeis possibilita ao assessor experiente manter as equipes alinhadas quanto aos objetivos e tarefas prioritárias, com constante adaptação do processo de M&A à dinâmica dos objetivos corporativos.

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